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ARISTÓTELES SOARES &
VALDEMAR DE OLIVEIRA



Aristóteles Soares é Pernambucano, do interior, da cidade de Catende, razão de seu profundo conhecimento daquela gente, dos seus problemas, dos seus dramas. Nota-se em suas obras o seu amor a sua terra, em louvável tentativa de fazer o sonhado e desejado teatro do

Nordeste. Realmente suas peças estão impregnadas do barro molhado do agreste, da zona da mata onde predomina a cana de açúcar e onde o drama dos trabalhadores rurais é bem diverso nas cores e no conteúdo, das demais regiões do país. Transpor isso para o palco, com a inteligência de que é possuidor , não deve ter sido tarefa difícil, para o "matuto" do interior, carregado do sentimento, do sofrimento dos companheiros de sua região. Em sua cidade lança alguns originais, passando a exibi-los nos subúrbios do Recife. A oportunidade de ver um seu original montado pelo TAP representava uma grande oportunidade. Dele se ouvia a repercussão do sucesso de suas ultima peças e sua condição de jornalista, escritor e homem de teatro afirmava e lhe dava condições de ver crescer o seu nome, ligando-o ao mais importante Grupo de Teatro Amador do Brasil. Trazia, em sua bagagem, "Cana Brava" e "A trovada" que antecederam a "Sangue Velho", peça que seu amigo Valdemar de Oliveira, depois de ler, sugeriu algumas modificações, que o autor do original abraçou, de imediato. Desse modo a parceria se estabeleceu, embora o "co-autor" Valdemar de Oliveira nada exigisse para a inclusão do seu nome. Aristóteles não aceitou e a parceria se fixou definitivamente O nome original de "Sangue Velho" era a "As árvores". Muita polêmica foi criada com a mudança do nome. Alguns cronistas da época optavam em manter "As árvores". Hermilo Borba Filho defendia que o nome original tinha maior significação, dentro do contexto, uma vez que a história se desenrolava "em torno de uma árvore que gira a história daquelas pessoas e o próprio Sangue Velho nada mais sendo do que a seiva que dela saía". No mesmo campo, Otávio Cavalcanti expressa seu ponto de vista achando o título pouco poético. Chega a afirmar parecer com "sangue pisado...coagulado...um hematoma". O título "Sangue Velho" é mantido e novos caminhos são abertos ao teatrólogo Aristóteles Soares. Quando a Valdemar de Oliveira vejam sua página de "autores".

O Teatro de Amadores de Pernambuco, leva à cena "SANGUE VELHOS", no dia 4 de abril de 1952, quando completa 11 anos de vida, com direção de Valdemar de Oliveira, no Teatro de Santa Isabel.