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ARTHUR AZEVEDO
(1855-1908)



Arthur Nabantino Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís MA em 7 de julho de 1855. Preparado pelo pai para o comércio, seguiu no entanto, desde muito cedo, a vocação literária. Irmão de Américo Azevedo, também autor teatral, e do romancista Aluísio Azevedo, aos 15 anos, já havia composto várias peças, e aos 17 lançou em São Luís "O Domingo",

o primeiro dos vários periódicos de que foi fundador. Simples e direto na linguagem que elaborou para o palco, Artur Azevedo deu um impulso essencial ao teatro brasileiro ao sedimentar em suas peças a tradição que provinha de obra pioneira de Martins Pena. Contista e cronista de presença assídua na imprensa, tornou-se ainda, como Machado de Assis, importante testemunha da sociedade do Rio de Janeiro no fim do século XIX. Incompatibilizado com os chefes políticos e a sociedade maranhense, após publicar no livro Carapuças (1871) uma série de poemas satíricos, mudou-se para o Rio de Janeiro RJ, onde trabalhou como revisor e tradutor de folhetins. Sua paródia da opereta francesa La Fille de Madame Angot, então muito famosa, a que intitulou A filha de Madame Angu (1876), abriu-lhe as portas do sucesso no palco, do qual jamais se afastaria como autor, tradutor e animador. O teatro musicado introduziu-se no Brasil através das operetas e revistas de Artur Azevedo, como O mandarim (1884), Cocota (1885), O bilontra (1886), que alcançou enorme popularidade e longa permanência em cartaz. Sob aparências leves, temperadas pelo sentido cômico das situações que criava, o teatrólogo submeteu a sociedade da época a críticas ainda mais contundentes nas dezenas de comédias que escreveu com incansável fôlego: Horas de humor (1876), A jóia (1879), A almanjarra (1888), Entre o vermute e a sopa (1895), A capital federal (1897), O badejo (1898), O mambembe (1904), O dote (1907), entre muitas outras. Paralelamente ao teatro, desenvolveu intensa atividade jornalística. Fundou periódicos como a Revista dos Teatros, A Gazetinha, O Álbum e, usando às vezes pseudônimo, colaborou nos principais jornais cariocas de seu tempo, como O País, Diário de Notícias e Correio da Manhã. Tendo escrito em versos rimados, em que era mestre, várias de suas peças, usou essa mesma técnica em infindáveis sátiras que publicou originalmente em jornais. Em poesia ou prosa ligeira, seus comentários às questões cotidianas despertaram tanto interesse quanto as criações da ribalta. A coleta em livros da produção esparsa na imprensa permitiu vida mais longa a sua obra de ficcionista e poeta de circunstância, constituída por títulos como Contos possíveis (1889), Contos fora da moda (1893), Contos efêmeros (1897) e, em publicação póstuma, Contos em versos (1909), Contos cariocas (1928) e Vida alheia (1929). Essa parte de sua obra conserva certo sabor, pela fluência e rapidez telegráfica do estilo, mas foi por suas comédias de costumes -- reencenadas com êxito ainda um século depois -- que o grande satírico entrou para a posteridade. Membro fundador da Academia Brasileira de Letras, Artur Azevedo morreu no Rio de Janeiro em 22 de outubro de 1908.
Trechos extraídos da Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

Dele o Teatro de Amadores de Pernambuco encenou "A Capital Federal", com direção de Valdemar de Oliveira, tendo à frente da orquestra o Maestro Nelson Ferreira, espetáculo que subiu ao palco do Teatro de Santa Isabel, no dia 7 de abril de 1965.