“Escola de Maridos”

<< Anteiror Início Próximo >>

MOLIÈRE - ( Jeam-Baptista Poquelin )
(1622-1673)


Jean Baptiste Poquelin nasceu a 15 de janeiro de 1622, na cidade de Paris. Órfão de mãe, aos doze anos foi enviado ao colégio de Clermont e depois para Orleans, onde se formou advogado. Mas, uma vez licenciado, jamais voltou a tocar nas leis e, embora contrariando o desejo da família, escolheu outro ofício, que para muitos era invenção do diabo: o teatro.

Poderia ter seguido a profissão do pai, 'tapeceiro ordinário do rei', ou qualquer outra que não ator de teatro. Mas uma forte vocação arrastou-o para o palco. E ali ele viveu toda sua vida. Iniciou sua dedicação ao teatro em 1643, quando completava 21 anos, fundando sua própria Companhia teatral ( Illustre Trèâtre ) em companhia da atriz Madeleleine Bèjart. Estrearam em 1644. O público, porém, não se interessou pelo trabalho do novo grupo. E, com a platéia vazia, o Illustre Théâtre amargou seu primeiro fracasso. Não podendo competir com as companhias profissionais - que, além da longa experiência, viviam sob o mecenato da aristocracia -, a empresa não conseguiu grande sucesso inicial. Persistente e totalmente apaixonado pelo Teatro percorreu, durante 13 anos as províncias Francesas, conseguindo afinal muito proveito como ator e como dramaturgo. Fixou residência em Paris recebendo homenagem do rei com o título de "Troupe de Monsieur". Foi no ano de 1644, depois de amargar a primeira derrota artística que o grande gênio da comédia, utiliza o pseudônimo "Molière" pela primeira vez. Alguns biógrafos acreditam ter Jean Baptiste Poquelin mudado de nome por exigência da família. Outros alegam um motivo bem mais condizente com o caráter irreverente do autor: Molière era o nome de um vinhateiro amigo de Jean Baptiste, que abastecia periódica e gratuitamente a adega do Illustre Théâtre. Possivelmente o comediante adotou seu nome para homenagear o simpático doador de vinhos. Em 1645, Molière se vê obrigado a liquidar o fracassado Illustre Théâtre. Preso por insolvência, sua fama em Paris passou a ser de um caráter irresponsável, incapaz de pagar dívidas e respeitar credores. Um fiel amigo paga a fiança exigida pela justiça e devolveu-lhe a liberdade O importante é que nem a vergonhosa prisão, nem o desastroso Illustre Théâtre esmoreceram sua paixão pelo palco. E, já que Paris não lhe oferecera as condições necessárias para o sucesso, Molière decide explorar a província francesa. Ele e Madeleine Béjart unem-se ao grupo de Charles Dufresne, formado por atores principiantes, e empreendem uma excursão de treze anos pelo interior. Poucos anos antes de terminar a excursão, Molière toma a decisão que mudaria seu destino como artista: dedicar-se também à comédia. Fazer rir as pessoas para delas extrais um novo tipo de comunicação, menos pretensioso do que o despertado pelo teatro clássico francês. No século XVII a comédia era considerada um "gênero menor", simples brincadeira de amadores. Mesmo assim havia cômicos famosos, como os da companhia italiana Scaramouche, por exemplo. Percebendo sua inegável veia para a farsa de costumes, para provocar o riso e, por meio deste, despertar reflexões críticas sobre a vida social, ele foi pouco a pouco se descartando dos papéis trágicos e assumindo a comicidade. Depois de experimentar os mais variados tipos de público, conhecer os cômicos italianos e interpretar um número enorme de personagens, Molière sentiu que o seu destino como homem de teatro era "fazer rir as pessoas honestas", observando os vícios humanos, os costumes degradados, a farsa de uma moral em transição. Assim, exercitou de tal forma a mímica hilariante que um novo desejo passou a incitar a sua incansável criatividade: o de escrever comédias. E, pela cômica verdade estabelecida como princípio em suas peças, Molière passou a receber críticas e ataques violentos de vários setores da sociedade, agora mobilizados contra o escritor de forma bem mais aguda que no início de sua carreira. Burgueses em escalada para a riqueza, nobres decadentes, donzelas casadoiras, varões enamorados, esposas incompreendidas, maridos humilhados, beatos hipócritas e médicos sem consciência - não havia quem não fosse denunciado pela pena sarcástica do comediante. Fazendo rir, o dramaturgo fazia pensar. E suas palavras tinham o poder de uma arma. Se Escola de Mulheres (École des Femmes, 1662) e Escola de Maridos - textos onde Molière defendia uma educação liberal - causaram-lhe repúdio dos burgueses moralistas, O Tartufo (Le Tartuffe, 1664) foi a peça que mais problemas enfrentou. Interditado pela censura do clero, abandonado pela esposa, em luto por um filho que nem um ano vivera, Molière continuou fazendo rir as pessoas honestas. E da própria desgraça se ergueu com a dignidade de um herói trágico.

Dele o Teatro de Amadores de Pernambuco encenou, "ESCOLA DE MARIDOS", com tradução de Artur de Azevedo. Foi dirigida, por um dos mais estudiosos ensaiadores da obra de Molière, o Diretor Adacto Filho, contratado pelo TAP, que a encenou do Teatro de Santa Isabel em 6 de maio de 1948.