Vestido de noiva

A falecida

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NELSON RODRIGUES
(1912-1980)



Nelson Falcão Rodrigues nasceu no Recife PE, em 23 de julho de 1912. Ainda muito jovem, foi transferido com a família para o Rio de Janeiro. Logo cedo abraçou o jornalismo, em A Manhã e A Crítica, jornais sensacionalistas de seu pai, Mário Rodrigues. Marcado pela tragédia do assassinato do irmão Roberto, dentro do Jornal "A crítica" e atingido pela tuberculose, sua vida, ficou marcada,

para sempre, refletindo em sua personalidade e em sua obra. Em 1942, estreou a primeira de suas peças, "A mulher sem pecado", escrita no ano anterior. Somente em 1943, porém, com a montagem de "Vestido de noiva", por Zbigniew Ziembinski, Nelson alcançou fama e, desde então, passou a ser considerado pela crítica o fundador do moderno teatro brasileiro.
"Contraditório e paradoxal, Nelson Rodrigues dizia-se conservador, mas foi um dos mais censurados teatrólogos brasileiros; afirmava ser um reacionário, mas foi revolucionário com sua obra, um divisor de águas para o teatro brasileiro. A estrutura de suas peças, ao contrário do teatro que se fazia até então, é aberta, justapondo diversos tempos e situações para traduzir uma visão mais dinâmica da realidade. A linguagem viva e coloquial é transposta diretamente da classe média carioca, principalmente do subúrbio". A bagagem literária teatral de Nelson Rodrigues, pode-se afirmar, representa o que de melhor se fez no Teatro brasileiro durante todo o seu período de vida. Em ordem cronológica registram-se: "A mulher sem pecado" de 1941; "Vestido de noiva" de 1943"; "Álbum de família" de 1946; "Anjo negro" de 1947; "Senhora dos afogados de 1947; "Dorotéia" em 1949; "Valsa nº 6" em 1951, "A falecida" em 1953; "Perdoa-me por me traíres" em 1957, "Viúva, porém honesta" em 1957; "Os sete gatinhos em 1958; "Boca de ouro" em 1959; "Beijo no asfalto" em 1960, "Oto Lara Resende ou Bonitinha, mas ordinária" em 1962; "Toda nudez será castigada" de 1965; "Anti-Nelson Rodrigues" em 1973 e "A serpente" em 1978. Muitas de suas peças foram levadas ao cinema e para a televisão, com enorme sucesso.
Paralelamente a sua obra para teatro, escreveu romances e na efervescência política da época de sua vida madura, publicou em jornais, de grande circulação, crônicas que eram ansiosamente aguardadas pelo grande público leitor. Criou expressões que se popularizaram: "óbvio ululante", "padre de passeata", "freira de minissaia" "idiota da objetividade", e outras frases de efeito. Escreveu também crônicas sobre futebol - era um apaixonado pelo Fluminense, não admitindo a existência de outro clube no Brasil. Por tudo que fez na dramaturgia Nacional, e na literatura brasileira Nelson Rodrigues deixou uma marca, sempre lembrada pelos amigos e admiradores:

"... a posição de Nelson Rodrigues em nossa literatura: a de primeiro autor dramático de importância"
Gilberto Freyre

"Nelson Rodrigues representa, sem a menos r dúvida, para o teatro brasileiro, como Vila-Lobos pra a música. Portinari para a pintura, Oscar Niemeyer para a arquitetura, o primeiro de uma realização de importância universal".
Prudente de Morais Neto

"É, de longe, o maior poeta dramático que já apareceu em nossa literatura"
Manuel Bandeira

"Nelson Rodrigues é um inovador e um renovador"
Álvaro Lins
"Nelson Rodrigues, está no Teatro Brasileiro como Carlos Drumond de Andrade na poesia: uma posição excepcional e revolucionária"
Menotti Del Pecchia

"Nelson Rodrigues é o maior dramaturgo do Brasil"
Guilherme de Figueiredo

"...o nossa maior autor dramático"
Accioly Neto

"...ocupando no teatro brasileiro uma posição solitária, Nelson Rodrigues trouxe para nós uma força dramática ainda desconhecida, uma beleza insuspeitada e freqüente."
Ledo Ivo

"... esse dramaturgo de descomunal talento que é o Sr. Nelson Rodrigues, novo e original como o jovem e audacioso Thornton Wilder."
Raimundo Magalhães Júnior

"Nelson Rodrigues adorna suas tragédias com uma constate inovação ao luto - é que, como todos os místicos, ele se desespera deste mundo. Seus último reduto, aquele onde afinal foi abrigar seu ideal de eterna pureza, é a morte. Só ela, afinal, pode restituir ao conspurcado sua permanente sede de respeito, de pureza e de bondade. Não há dúvida de que, para ele, a morte substitui Deus - até mesmo no seu incompreensível."
Lúcio Cardoso

Faleceu no Rio de Janeiro, em 21 de dezembro de 1980."

Dele o Teatro de Amadores de Pernambuco encenou "VESTIDO DE NOIVA", com direção de Flamínio Bollini Cerri no ano de 1955, estreando no Teatro de Santa Isabel no dia 15 de outubro. Outro original de sua autoria, subiu à cena no Teatro de Santa Isabel: "A FALECIDA", com direção de Walter de Oliveira, estreando no dia 14 de junho de 1973.