Uma das maiores figuras do cenário teatral do Nordeste, com muitas passagens pelo Sul onde pôde mostrar a sua imensa capacidade ao lidar com o Teatro. Iniciou no Teatro de Amadores de Pernambuco na peça "A exilada" no papel do Príncipe Leopoldo, e por anos a fio prestou sua notável colaboração, de que muito se orgulha o TAP, de contar com o seu nome em seus quadros como ator, tradutor e como Diretor, sem esquecer sua enorme contribuição na montagem de "A comédia do coração", na iluminação ao lado de Rosa Turkof esposa do Diretor do espetáculo Zingmund Turkof.

Homem de enorme bagagem de conhecimento de teatro, apaixonada pelo popular, talvez pela sua origem interiorana, tinha a visão de levar o Teatro ao povo e não procurar trazê-lo ao Teatro. Memoráveis polêmicas travaram, em época onde a polêmica era o charme jornalístico, com Valdemar de Oliveira, o que levou muita gente (coitados) a julgar que ele havia brigado com seu amigo. Enquanto os tiros eram disparados pelos dois, um em cada trincheira defendendo o seu ponto de vista, e ambos defendendo o teatro, sua casa era constantemente visitada pelo Reinaldo de Oliveira, onde o jogo de "gamão" corria solto até de madrugada, enquanto Fernando, fazia sessões de hipnose. Quando perguntavam como ia a situação entre os dois Reinaldo dizia - Grandes inimigos íntimos. E eram assim. O respeito de um pelo outro era profundo e permanente. Durante o tempo em que foi jornalista da Revista Visão assim se pronunciou sobre o TAP "Excelência de conjunto, um dos de maior equilíbrio do Brasil, além de possuir uma honestidade artística impar." Quando Hermilo foi para o Sul, com bagagem cheirando a definitivo, Valdemar lhe escreveu para que ele voltasse, que o Recife precisava dele e que ainda tinham muito a brigar, em benefício do nosso Teatro. Lutou e de tanto lutar Hermilo volta para assumir Cadeira de História do Teatro, na Universidade, que o dedo de Valdemar soube tecer, para que o Recife não perdesse um elemento tão lutador e de tanto valor. Como autor destacou-se no cenário Nacional com as peças "A barca de Ouro", "O vento e o mundo", "A bomba da Paz" tendo deixado sua marca, na história do Teatro em Pernambuco com sua participação no Teatro Estudante e no Teatro Popular do Nordeste. Fundou com Alfredo de Oliveira e Graça Melo o Teatro de Arena.

Como ator no TAP trabalhou em "A exilada", "Oriente e Ocidente","A evasão", "O instinto", "O leque de Lady Windermere", "e "O homem que não viveu", além de ter participado de dos remontes de "Primerose" (1944), "Um mulher sem importância"(1944).

Como Diretor assim se expressou: "Eu estava bastante ligado do TAP - que ví nascer - e com quem colaborei nos primeiros anos para sentir-me, ao mesmo tempo, honrado e satisfeito em aceitar o convite para dirigi-lo. E quis a fortuna que fosse precisamente com a peça que há muito tempo desejava encená-la.". Assim dirigiu: "Seis personagens à procura de autor", de Luigi Pirandello "Onde canta o sabiá", de Gastão Tojeiro; "Living-room" de Grahan Greene "À Margem da Vida" de Tennesse Willians..

Com sua direção o Teatro de Amadores de Pernambuco levou à cena:

"SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE UM AUTOR".
De Luigi Pirandello, estreando no dia 3 de julho de 1958, no Teatro de Santa Isabel

"Onde canta o Sabiá"
de Gastão Tojeiro, encenada no Teatro de Santa Isabel , no dia 7 de novembro de 1958, tendo na direção musical o Maestro Nelson Ferreira.

"O LIVING-ROOM",
de Grahan Greene, com tradução de Helena Pessoa e que subiu à cena no dia 16 de maio de 1959, no Teatro de Santa Isabel.

"À MARGEM DA VIDA",
de Tennessee Williams, com tradução de Ester Mesquita, subiu à cena no dia 7 de junho de 1961, no Teatro de Santa Isabel.

Nota: Uma das poucas peças do Teatro de Amadores de Pernambuco que não possuiu fotos uma vez que, no dia marcado para as fotografias, houve um movimento militar, junto ao Teatro de Santa Isabel, e a área foi interditado, cercado de tanques e a temporada encerrou.
Hermilo Borba Filho

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O Living-Room

Onde Canta o Sabiá