Dentro do programa de trazer ao Recife os melhores ensaiadores do Brasil para benefício do elenco e da própria platéia do Recife, Valdemar de Oliveira contratou, o alemão, radicado no Rio de Janeiro, Willy Keller. Quando do seu regresso ao Rio de Janeiro assim se manifestou em reportagem a "Tribuna da Imprensa" no dia 14 de dezembro de 1951: "Passei três meses no Recife a convite de Valdemar de Oliveira para dirigir o Teatro de Amadores de Pernambuco e o Teatro Universitário. Como não foi possível conseguir os direitos autorais das peças previstas, perdemos tempo com a preparação do repertório, de maneira que só cheguei a encenar "DO MUNDO NADA SE LEVA" (para o TAP) e "A comédia dos equívocos", de Shakespeare, (Para o TUP) numa adaptação livre minha e de Henrique Ponsetti. O fato de ter o Teatro de Amadores de Pernambuco, uma existência de mais de 10 anos já é uma prova eloqüente de tenacidade e dedicação não só da direção como também dos componentes. O nome do Teatro de Amadores dá talvez a falsa impressão de que se trata de pessoas bem intencionadas, que se divertem"brincando de teatro", uma ou duas vezes por ano e que se dão ao luxo de contratar ensaiadores nacionais e estrangeiros para tornar a brincadeira mais interessante. Não há nada disso. O Grupo pode concorrer com qualquer conjunto profissional e com bastantes vantagens para muitos elencos profissionais. Claro que eu não quero atacar o teatro profissional, porque eu mesmo sou profissional e seria, contraproducente se eu me voltasse contra os meus colegas. Mas, nos interessados em levantar o nível cultural e artístico, temos de reconhecer todos os esforços honestos. O Teatro de Amadores de Pernambuco é portador de uma alta mensagem cultural e tem o direito de ser mencionado entre os primeiros teatros brasileiros. O repertório realizado inclui todo os autores modernos de sucesso dos últimos cinqüenta anos. Se o Teatro Clássico não encontrou ainda o seu devido lugar, é por falta de traduções adequadas. Todas as peças são cuidadosamente preparadas, em muitas noites de ensaios, o que representa um grande sacrifício para todos os participantes, porque todos eles têm os seu afazeres diários. O que mais me impressionou foi à sinceridade artística, a bondade pessoal e a camaradagem, que caracterizam esta gente, e se eles lucraram algo com a minha presença no Recife, eu, por minha parte, fui altamente recompensado pelas provas de amizade a mim dispensada." Podem ter certeza, que o lucro maior, foi do Teatro de Amadores de Pernambuco e do público do Recife, pela passagem entre nós de Willy Keller

Com sua direção o Teatro de Amadores de Pernambuco levou à cena:

"DO MUNDO NADA SE LEVA",
de George Kaufman e Moss Hart, com tradução de Maria de Lourdes de Araújo Lima, foi levada à cena no dia 21 de outubro de 1951, no Teatro de Santa Isabel.
Willy Keler

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