de nossa cidade. Pelas cartas recebidas de todas as partes, onde a semente do bom teatro começava a germinar, como o Serviço Nacional do Teatro, a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), a Academia Brasileira do Teatro, a Academia Brasileira de Letras e as mais importantes sociedades literárias do país chegavam os mais rasgados elogios ao dinamismo de Samuel Campelo. Assim se expressou Dr. Fábio Aarão Reis, da Academia Brasileira de Teatro "Não sei o que mais admirar - se a tua tenacidade inesgotável, o teu ainda puro idealismo teatral, o teu amor e confiança em nossos homens - se a realização do que já lograste num meio tão agreste ao mundo teatral. Espalha o mais que puderes este "Boletim" e os que se seguirem porque é a demonstração concreta dos fatos positivos já obtidos pelo Grupo Gente Nossa, tão animadores são que deverão agir como sadio estimulante para outros empreendimentos idênticos e assim, levarem à vitória final o Teatro no Brasil". Figueira Júnior exalta "A atuação do Grupo Gente Nossa tem sido, sem dúvida, um dos fatores, se não o único grande fator do desenvolvimento teatral apreciável, que se processa na sua risonha capital". Do vitorioso autor carioca Paulo Magalhães "recebi o boletim do heróico Grupo Gente Nossa". Do Dr. Modesto de Abreu, presidente da Academia Carioca de Letras e da Academia Brasileira de Teatro: "Poucas têm sido, entre nos, as iniciativas tendentes a elevar o nível do nosso teatro. Entre os raros campeões dessa cruzada benemérita, podemos arrolar o Sr.
Grupo Gente Nossa no salão do Teatro de Santa Isabel
em torno do busto de Samuel Campelo.
Está ai o Teatro de Amadores de Pernambuco completando 62 anos de atividades ininterruptas e poucos sabem que sua origem se deu como um bom filho do Grupo Gente Nossa, grupo criado pela figura extraordinária do teatrólogo Samuel Campelo, considerado um dos baluartes do Teatro Nacional.
O Grupo Gente Nossa ( GGN ) nasceu no dia 2 de agosto de 1931 e foi fundado por Samuel Campelo, no Teatro Santa Isabel, estreando com a peça "A Honra da tia" de sua autoria. Em seu primeiro boletim, publicado com a finalidade de divulgar suas realizações e contribuir para elevar o nome do Teatro em nosso Estado, podemos sentir o que representou aquele Grupo na vida teatral
Samuel Campelo
Renato Viana com o seu teatro escola no Rio e o Grupo Gente Nossa no Recife". No ano de 1932, com apenas 1 ano de vida, já divulgava o Grupo Gente Nossa em seu boletim, ocupando mais de uma página, um relato do movimento do grupo nos anos de 1932 a 1935. Impressionante o movimento teatral no Recife e nas cidades vizinhas de nosso Estado, nesse período onde só existia o Teatro Santa Isabel, sempre em reforma. Só para se ter uma pálida idéia do que ocorria em 1932, pincemos o mês de maio: dia 7 de maio embarque para João Pessoa pelo trem da Great Western do Grupo Gente Nossa, tendo na mesma noite estreado, no palco do Teatro Santa Rosa, "Gente Rústica", burleta em 3 atos de Umberto Santiago com partitura musical de Sergio Sobreira, ambos Pernambucanos; no dia 8, vesperal com "Cala boca, Etelvina", do carioca Armando Gonzaga e à noite "Amigo da Paz", do mesmo autor. No dia seguinte a Opereta "A Rosa Vermelha" de Valdemar de Oliveira e Samuel Campelo. Dia 10 no mesmo teatro a Comédia "Casa do Gonçalo" do pernambucano Lucilo Varejão. No dia 11 a comédia "O interventor" de Paulo Magalhães. No dia 12, festival do Tenor Vicente Cunha, com a burleta "A cabocla Bonita". No dia seguinte, outra burleta, "Luar do norte", letra e música dos pernambucanos Umberto Santiago e João Valença. No dia 14, a comédia em 3 atos de Armando Gonzaga "A descoberta da América". No dia 15, dois espetáculos: vesperal, a burleta "A Cabrocla Bonita" e, à noite, a comédia musical "Cartazes do Amor" dos Irmãos Valença. No dia 16, despedida com a comédia em 3 atos de Samuel Campelo "A Honra da Tia", voltando de ônibus
Teatro de Santa Isabel
todo o elenco logo após o termino da temporada. Nessa visita o Grupo Gente Nossa estava constituído de 26 pessoas, destacando-se na comitiva Samuel Campelo, Barreto Júnior, Elpídio Câmara, Nelson Ferreira, Ari Guimarães, Maria Amorim, Lenita Lopes e outros. Passados 4 dias, já no dia 21, no Teatro de Santa Isabel é levada à cena "Casa de Gonçalo" de Lucilo Varejão; no dia 22, "O Amigo da Paz". No dia 28 estréia pelo Grupo Gente Nossa a opereta de Valdemar de Oliveira e Samuel

Campelo "Aves de Arribação", sendo o espetáculo repetido no dia seguinte em vesperal e à noite, repetindo-se nos dias 30 e 31. . Com isso o Grupo Gente Nossa no mês de maio de 1932 representou exatamente 22 espetáculos, encenando nada menos de 12 autores diferentes, sendo alguns espetáculos musicais. Repetiu a façanha no ano seguinte no mesmo mês de maio, quando representou 15 dias durante o mês levando à cena 10 originais diferentes. Em maio do ano de 1934 foi mais modesto: 12 representações, embora com a responsabilidade da opereta "Ninho Azul" de Valdemar de Oliveira, "Deus lhe Pague" de Joraci Camargo, "O Dote" de Artur Azevedo, "Mãe" de José de Alencar, "O Feitiço" de Oduvaldo Viana, "Eu não sou eu" de Silvino Lopes, "A mulher de Porcelana" de Filgueira Filho e "Cartazes do Amor" dos Irmãos Valença. Isto só para falar do mês de maio.
Foi nesse burburinho de teatro, de música, de encenações constantes, de movimentos amadoristas, nos subúrbios da cidade, à frente da Sociedade de Cultura Musical, trazendo ao Recife os maiores vultos do campo da música erudita, que Valdemar de Oliveira viu crescer o seu prestígio, de deixar que o mundo literário lhe tomasse o espírito, com a obrigação diária de um ou dois artigo, comentário os mais variados para os jornais da terra, que ele, Valdemar de Oliveira, recém casado, dava os primeiros passos como pai

Anuncio da estréia da operete "Aves de Arribação".
e como Professor (seu maior orgulho). Hoje, remexendo na história do Teatro em Pernambuco, posso compreender por que o Teatro de Amadores de Pernambuco completa 63 anos de atividades ininterrupta, abraçado com o sucesso sendo respeitado por todos aqueles que gostam do bom teatro.
Valdemar de Oliveira
Pois foi o Teatro de Amadores de Pernambuco forjado, moldado, esculpido nos ideais de Samuel Campelo. Por ser tão amigo, tão admirador, tão fiel, tão cativo dos seus ideais, não deve ter sido tarefa tão difícil para um bom ator imitar o seu ídolo. Assim fez Valdemar de Oliveira. Seguiu seus passos, consciente dos caminhos que aprendera. Quando se fechou o velário da vida de Samuel Campelo, a 10 de janeiro de 1939, Valdemar de Oliveira assim se expressou: "Através de toda a história de Pernambuco, o período áureo do teatro, hão de anotar os historiadores, foi o período da gestão de Samuel Campelo no Santa Izabel. Muitos anos ainda, futuro adiante, o que se fizer e souber, em matéria de teatro em nosso Estado, será ainda sob a inspiração desse exemplo singular de paladino que nunca viu manchada a flama do seu ideal. Este homem foi combatido, aqui. É natural. Irritava os espíritos mesquinhos, tamanha a dose de pertinácia, tão temperada fibra de lutador. Quando parecia que, no seu sonho de arte, tudo estava perdido, mais vivo era o seu ânimo de luta, mais empolgante a sua força de vontade". Como bom aluno, se fez mestre e, como mestre, deixou bons alunos. descoberta da Am\'e9rica\b0 ". No dia 15, dois espet\'e1culos: vesperal, a burleta "\b A Cabrocla Bonita\b0 " e, \'e0 noite, a com\'e9dia musical "\b Cartazes do Amor\b0 " dos \b Irm\'e3os Valen\'e7a\b0 . No dia 16, despedida com a com\'e9dia em 3 atos de \b Samuel Campelo\b0 "\b A Honra da Tia\b0 ", voltando de \'f4nibus todo o elenco logo ap\'f3s o termino da temporada. Nessa visita o \b Grupo Gente Nossa\b0 estava constitu\'eddo de 26 pessoas, destacando-se na comitiva \b Samuel Campelo, Barreto J\'fanior, Elp\'eddio C\'e2mara, Nelson Ferreira, Ari Guimar\'e3es, Maria Amorim,


Fernando de Oliveira