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O Processo de Mary Dugan
De: Bayard Weller

Elenco:

Dr. Craveiro Leite Dr. Welcome
Adhelmar de Oliveira* Capitão Price
Edith Glasner May Harris
Ladyclaire de Oliveira Ferne Artur
Geninha Sá Dagmar Lorne
Hélio Tavares James Maddison
Augusto Almeida Inspetor Hunt
Dédrano Lima Secretário
José de Queiroz * Taquígrafo
Dina de Oliveira Mary Ducan
Dr.Valter de Oliveira Galirey
Dr.Valdemar de Oliveira West
Dr.Pinheiro Dias Juiz Indge
Alderico Costa Jimmy Dugan
Denise Albuquerque Gertudres Rice
Vanildo Bezerra Cavalcanti * Patrick Kearney
Ivone Cavalcanti Borges Marie Ducrot
José Carlos Cavalcanti Borges Henry Plaisted

* Estreantes no Teatro de Amadores de Pernambuco

Nota: O corpo de jurados foi integrado por artistas do Teatro do Estudante em sua grande maioria.

Cenários: Adaptação de Álvaro Amorim
Auxiliares: Na carpintaria - José de Barros e José Alves
No ponto: Abelardo Cavalcanti (Coleguinha)
Na contra regra: Francisco Miranda
Maquinistas: José Alves e José Gomes
Entidade beneficiada: Instituto dos Cegos de Pernambuco, por indicação do Rotary Club.

Alguns trechos de críticas:


"Mais um espetáculo com a comédia "O processo de Mary Dugan" , deu-nos ante-ontem o Teatro de Amadores, que, como das vezes anteriores, alcançou o máximo êxito artístico, em benefício do Instituto dos Cegos. Enredo interessantíssimo, com uma montagem a rigor, a comédia teve um desempenho impecável. Todos, sem exceção, estavam "afinados".Mas é de justiça salientar a Sra. Valdemar de Oliveira, que interpretou Mary Dugan, vivendo o seu drama terrível, com sentimento, com alma. Aliais, a Sra. Dináh de Oliveira , vem, dia a dia, revelando os seus dotes de inteligência, de verdadeira artista. Geninha Sá, pouco teve a fazer, mas esse pouco, agradou muito. Valdemar de Oliveira, Alderico Costa e Valter de Oliveira, foram os principais interpretes do naipe masculino e tiveram admirável interpretação. Foi, enfim, um espetáculo digno de ser visto.
EDITORIAL DO JORNAL PEQUENO

"Com a peça de renome internacional "O Processo de Mary Dugan", e em espetáculo cuja renda, mais um vez, foi destinada ao "Instituto dos Cegos", o Teatro de Amadores apresentou-se ontem, no Santa Isabel, para a renovação dos merecidos aplausos que vem conquistando do nosso público - aplausos ao que de artístico representa, entre nós, o aludido conjunto teatral e aos propósitos que o vêm norteando socialmente. Não é esta a primeira vez que nos ocupamos do Teatro de Amadores...No âmbito, tenhamos a coragem da consternadora afirmativa - desoladora do Teatro brasileiro, onde o predomínio, conferido pela maioria de nossas platéias, pertence às "chanchadas" e a meia dúzia de palhaços mais carnavalescos que circenses, o Teatro de Amadores é um marco de singular dignidade artística. Pelo que esse núcleo de inteligência deixa transparecer através da honestidade das suas iniciativas, no acerto dos seus primeiros passos - os mais árduos -, nele, com relevo se descobre probabilidades produtivas. O Teatro de Amadores é, principalmente, o protesto vibrante de autoridade contra os histriões - esses que buscam e conseguem, na generosidade ou, mais acertadamente, na ignorância de uma quase totalidade de públicos, proventos mais úteis do que o objeto conquistador. Relevado o plebeísmo do confronto, o Teatro de Amadores significa o espantalho colocado na vastidão do campo fecundo para repelir as aves daninhas...O Teatro de Amadores não nós oferece audácia de renovação. A cena que adota é profundamentada nos moldes comuns à espécie. É a rotina. Mas perseverada no que ela possue de perfeitamente aceitável do seu elenco - composto de pessoas resolvidas, a prol do engrandecimento artístico dos seus conterrâneos, ao duelo das deliberações decorosas contra - até mesmo - certos preconceitos subsistentes nos Catões que ainda trazem, jungidas à cintura as tangas de paxiúba provinda do nosso ancestral Caeté..."
LUIZ TEIXEIRA no Diário da Manhã


Nota: A peça seguiu em temporada pelas cidades de Natal e Fortaleza durante o mês de Dezembro de 1941, estreando no dia 16 de dezembro de 1941 no Teatro Carlos Gomes com o seguinte elenco:

Craveiro Leite Dr. Welcome
Albérico Glasner Capitão Price
Sra. Pinheiro Dias May Herris
Snra. Ladyclaire de Oliveira Feme Artur
Geninha Sá Dagmar Lorne
Hélio Tavares James Maddison
Augusto Almeida Inspetor Hunt
Carlos Siqueira Secretario
Clementino Junior Taquigrafo
Sra. Diná de Oliveira West
Pinheiro Dias Juiz Indge
Alderico Costa Jimmy Dugan
Sra. Alberico Glasner Gertrudes Rice
Urbano Brandão Patrick Kearny
Sra. Ivone Cavalcanti Borges Marie Ducrot
José Cavalcanti Borges Henry Plaisted


Nota: Corpo de jurados elementos artísticos do Grêmio Dramático de Natal. Em benefício da Sociedade de Assistência aos Lázaros.


ALGUNS TRECHOS DE CRÍTICAS E COMENTÁRIOS, DA PRIMEIRA EXCURSÃO DO TAP AO NORDESTE:

"O público natalense tem sabido corresponder, felizmente, à expectativa mais animadora formulada a respeito da temporada do Teatro de Amadores do Recife.... Valdemar de Oliveira foi sempre em Pernambuco o grande guia destes movimentos. Ao seu lado, em colaboração dedicada e vibrante, estiveram em todas as horas figuras de relevo no meio social, todos animados do mesmo ideal e do mesmo espírito. Esse Teatro de Amadores é o que se pode dizer teatro em família. São cinco ou seis lares que se fundem para as mesmas alegrias. E, ainda mais, para prolongar estas alegrias pelos outros lares, dezenas e centenas deles, cheios de necessidade, de doenças, de misérias e de fome".
ALUISIO ALVES, na A República em 16/12/1941.

"Os espetáculos que o Teatro de Amadores de Pernambuco apresentou à sociedade natalense constituíram acontecimento de grande realce na vida artística do Rio Grande do Norte (...) Reunindo em torno de si, figuras da sociedade de Recife, e senhoras e senhorinhas igualmente devotadas ao conforto espiritual de amparar o proteger, Valdemar de Oliveira está prestando imenso serviço ao teatro de amadores do Brasil"... O Teatro de Amadores de Pernambuco veio deixar em Natal, uma lembrança inextinguível, com os seus espetáculos no Teatro Carlos Gomes. Nunca mais a cidade esquecerá as quatro noites em que o nosso teatro se completou para o prazer de uma temporada artística impressionante pela escolha das peças e pelo brilho dos interpretes. Nunca mais a sociedade natalense olvidará essa confraternização dos amadores pernambucanos com os amadores do Rio Grande do Norte, colocando o teatro numa grande significação social. Com "O processo de Mary Dugan" o Teatro de Amadores de Pernambuco encerrou a sua temporada. Se o trabalho de Bayard Weller é admirável na seqüência das fases e no apuro dos detalhes , o dos amadores foi empolgante, pela inteireza dos personagens integrando os seus papeis".
R. DANILO na " A República" .

" O Teatro de Amadores de Pernambuco é bem a expressão da tenacidade do poder realizador, da superioridade de espírito, da inteligência, da cultura da gente pernambucana, que, nesse movimento de infinita beleza, se vê magnificamente representado pelo cérebro privilegiado, pelo mago da ação, pelo espírito combativo eternamente vencedor de Valdemar de Oliveira". 19/12/1941 - Valdemar de Almeida

Tradutor: Vitoriano Braga
Diretor: Valdemar de Oliveira
Estréia: 11 de outubro de 1941
Local: Teatro de Santa Isabel