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A Exilada
De: Henry Kistemaeckers

Peça em quatro atos, obrigando a quatro cenários. Passa-se nas cercanias da Áustria, envolvendo a historia de um amor em meio a uma rebelião política. Uma paixão desenfreada entre Gina (Diná de Oliveira) e Henrique Virey (Valdemar de Oliveira) um exilado. Um drama onde se envolvem outros exilados em clima bastante tenso, prendendo o espectador durante todo o desenrolar da ação. Cenários luxuosos, ornados por peças oriundas do Palácio do Governo, cedidos pelo Interventor Agamenon Magalhães. Um espetáculo que o Recife nunca havia visto. Pode-se afirmar, pelas notícias dos jornais, e pelo "boca a boca", que ainda hoje circula, entre os mais velhos, ter sido um acontecimento não se sabendo, qual o de maior grandeza: se o social ou o teatral. Uma estréia, sem outra para comparação, onde os jornais assim descreveram: "luxo, cintilações, elegância, fidalguia, graça e alegria de uma simpática e movimentada platéia". Para isso se fizeram presente, numa noite onde o rigor era obrigatório, não somente o mundo social e político da cidade, porem a orquestra de Concertos da Rádio Clube de Pernambuco, sob a regência do Maestro Caparrós, tendo ao piano o Maestro Nelson Ferreira. Muitos discursos de saudação e elogios do governador do Estado, do Prefeito da Capital e do representante da Região Militar.

Elenco:

Ester Pinheiro Dias* Condessa de Granviers
Diná de Oliveira Princesa Gina
Geninha Sá Jaqueline
Hermilo Borba Filho* Príncipe Leopoldo
Walter de Oliveira Streck
Valdemar de Oliveira Henrique Virey
Augusto Almeida Miahr
Adhelmar de Oliveira Príncipe Franz Rodolfo
José Cavalcanti Borges Ephim Jouk
Pinheiro Dias Flâmine
* Estreantes no Teatro de Amadores de Pernambuco

 

Cenários: Mário Nunes, Álvaro Amorim, Mario Túlio e Buthow Y. Grothe.
Ponto: Abelardo Cavalcanti ( Coleguinha )
Contra regra: Francisco Miranda
Maquinista: José Barros
Eletricista: Aníbal Mota
Guarda roupa Masculina: Sarubbi e Perrelli
Música: Orquestra sob a regência do Maestro Felipe Caparrós
Móveis de cena cedidos pelo Palácio do Governo, na pessoa do Governador Agamenon Magalhães
Entidade beneficiada: Instituto Guararapes (Preventório do filho sadio de Lázaro).


Alguns trechos de Críticas:

MANCHETE DO JORNAL NO RECIFE:
"PELA PRIMEIRA, VEZ NO RECIFE, EXIGIDO TRAJE A RIGOR PARA UM ESPETÁCULO TEATRAL"

" Ainda perdura, no espírito público , o espetáculo memorável da noitada de gala proporcionada, à sociedade pernambucana pelo Teatro de Amadores, com a apresentação de A EXILADA, em benefício do Instituto Guararapes. O velho Teatro da Praça da República reviveu os seus dias de fausto, reunindo, num espetáculo de requintada elegância, as figuras mais representativas do nosso alto mundo, que ali ocorreram, prestigiando com sua presença, uma iniciativa de alto sentido humanitarista. Espetáculo de gala, pela primeira vez realizado , entre nós, teve a realçá-lo o fulgor das casacas e dos smokings, de par com a elegância requintada das " toilettes" exibidas pelas mais ilustres damas da nossa sociedade. A representação de A EXILADA, pelo Teatro de Amadores, decorreu sem um deslize, fazendo jus aos entusiásticos aplausos que recebeu da grande e selecionada assistência, que superlotou as dependências do Santa Isabel. Todos os figurantes se mostraram perfeitamente à altura dos seus papéis, interpretando-os com sensibilidade e segurança. Ao finalizar o primeiro ato, a diretoria feminina da Sociedade Pernambucana de Combate a Lepra, ofereceu, em cena aberta, à senhora Diná de Oliveira um lindo ramalhete. Idênticas homenagens foram prestadas, ao findar a representação, à senhorinha Geninha Sá, e à senhora Pinheiro Dias. Mister se faz, uma referência à orquestra de concertos da PRA-8, que se fez ouvir, nos entreatos, apresentando números de seleção. O conjunto da emissora pernambucana sob a direção do maestro Caparrós, recebeu vibrantes aplausos da platéia - justo premio ao virtuosismo dos executantes, um conjunto quase inteiramente local, com a colaboração apenas de três ou quatro elementos estranhos. Estiveram a cargo do maestro Nelson Ferreira os solos da "Fantasia Brasileira. A Rádio Clube de Pernambuco anda colaborou para o brilhantismo da noitada artística de anteontem, instalando perfeito serviço de reportagem local, a cargo do locutor José Renato."
EDITORIAL DA EDIÇÃO VESPERTINA DA FOLHA DA MANHÃ.

"Valdemar de Oliveira terá, talvez, improvisadamente - do mesmo modo que poderia ter cogitado da organização de um concerto ou da montagem de um bailado - decidido a encenação. Em 1941, do Dr. Knock, de Romains sem se dar conta que construía os alicerces de uma grande obra. Sob todos os pontos de vista "grande", o objetivo tão terre-à-terre é o termo justo para a realização do Teatro de Amadores de Pernambuco. É raro que o teatro limpo, que se mantém numa esfera absolutamente elevada, e se orienta segundo um único e determinada plano - o do sentido da arte - encontre, como o Teatro de Amadores, o sufrágio irrestrito de um público mais ou menos heterogêneo. Não diremos , para engrossar a opinião tão generalizada, que o Teatro de Amadores é a continuação de um trabalho outrora iniciado, sim, que é um movimento jamais esboçado no nosso ambiente. Na noite passada, o Recife de hoje assistiu, no quadro dourado do velho Santa Isabel, a um espetáculo que o Recife das "anquinhas" não teria podido admitir: um elenco, formado pela fina flor da sociedade pernambucana, se movimentou, com um virtuosismo cênico digno de artistas verdadeiros, em torno das figuras básicas de todo o trunfo moral e artístico do Teatro de Amadores - o casal Valdemar de Oliveira. Não foi tarefa fácil a que Valdemar de Oliveira metteur-em-scène impecável, entregou aos seus colaboradores: a peça de Kistemaeckers, é um drama forte desenrolado dentro de um mundo de poesia e violência. Os interpretes de "A exilada" animaram uma atmosfera misteriosa, onde a dor, a intriga e o ódio exercem seu implacável domínio. Nesse clima inquieto, o próprio amor se insinua e passos de arminho. - "Antes de sair apague... ... É que eu tinha, ainda, uma coisa para dizer..." Geninha Sá, maravilhosa como sempre, feita, toda ela, para o esplendor da primavera, lembra a formosa e triste Meisande - "estou mais perto de ti na sombra..." A senhora Pinheiro Dias atua com naturalidade admirável, e vive, no décor grandioso do castelo de Salicz, uma Condessa de Granviers espirituosíssima. Eis um elenco de primeira ordem, e que o Teatro de amadores não poderá deixar fugir. Quanto ao Dr. Pinheiro Dias, está irrepreensível - o Francês diria au point - no seu papel diplomático. Lamenta-se que seja tão rápida a sua passagem. Walter de Oliveira apresenta um Streck dantesco, terrível, no antegozo da tortura alheia. Pode o Sr. Walter de Oliveira estar orgulhoso do seu sucesso. É um ator de classe. Hermilo Borba Filho e Adhelmar de Oliveira dão excelente interpretação aos papéis difíceis de realizar, de Leopoldo e Príncipe Franz Rodolfo. José Cavalcanti Borges e Augusto Almeida, muito bons. Diná de Oliveira (princessa Gina), majestosa como princesa, divinamente humana como apaixonada, vive o seu grande momento. Sorve, a última gota estóica, bravamente o seu cálice amargurado. Tem em pedaços o coração e a alma, e será capaz, ainda, - por que não ? - de reinar sobre um povo. Geninha Sá - como gostaríamos de revê-la encher o Santa Isabel com seu belo sorriso! - no papel de Jacqueline tem, também, uma cruz sobre os ombros. Finalmente, para ela, para eles, a lei eterna vence a maldade dos homens e apenas como em tantos casos espalhados pela vida - deve haver um que chore para que os outros sejam, felizes. Valdemar de Oliveira reafirma uma poderosa, sutilíssima individualidade artística, penetra, ao âmago, do sentimento dramático do enredo. Emerge, involuntariamente, do conjunto harmonioso, e, ao contrário da personagem wagneriano que ergue o braço para jogar, no fundo das águas lendárias, o tesouro imaginário, ele espalha, a mancheias, a riqueza de sua emoção artística e os prodigiosos recursos de sua técnica teatral".
Sibila Odenheimer, em artigo no Jornal do Commercio.


Adhelmar, Walter e Diná
Elenco Posando
Tradutor:
Diretor: Valdemar de Oliveira
Estréia: : 16 de junho 1942.
Local: Teatro de Santa Isabel
Diná e Irmãos
Cenário com personagens
Valdemar e Diná
Ensenação