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"A constante busca, ao aperfeiçoamento cênico e artístico, que Valdemar de Oliveira sempre procurava atingir, nos espetáculos do Teatro de Amadores, no caso de obra assinada por Casona, se redobrava. Primeiro pela responsabilidade, como tradutor, segundo pela amizade que mantinha, com o próprio autor, com quem se correspondia constantemente. Uma admiração recíproca. Desta vez as trocas de cartas, viabilizaram emprestar ao espetáculo, maior verdade cênica. Cenários, musicas, indumentárias, fotografias, foram estudadas, basicamente, pelas correspondências trocadas. Um gesto que comprova seriedade que Valdemar de Oliveira emprestava a todos os empreendimentos que envolvessem o Teatro de Amadores. "São minúcias aparentemente insignificantes que fazem o equilíbrio do Conjunto e lhe dão a unidade indispensável à construção da atmosfera que envolverá o desenrolar da ação. E considerava "A dama da Madrugada" como a "...mais teatral, no exato sentido em que se deve compreender esse termo; no sentido da perfeita comunhão entre o enredo e ação, entre a essência e a forma, no limite justo da realidade humana e da ficção artística"


ELENCO:

Herci Lapa de Oliveira

-

Dina de Oliveira

A peregrina

Denise Albuquerque

-

Geninha Sá

Adélia

Eunice Catunda

-

Valdemar de Oliveira

Avô

Otavio da Rosa Borges*

Martinho

Elaine Cavalcanti Soares*

Menina

Mário Fernando Alves de Melo*

Menino

Maria da Gloria Carvalho*

Angélica

Vicentina Freitas do Amaral

-

Bebé Fernandes Salazar*

-

Walter de Oliveira

-

Alfredo de Oliveira

-

Alderico Costa

-

Jovelino Selva*

-

* Estreantes no Teatro de Amadores de Pernambuco

FICHA TÉCNICA:

Figurinos:
Pintor Matos Siqueira (Baseados em fotos enviados pelo autor)
Cenários:
Pintor Matos Siqueira de acordo com fotos enviados pelo autor
Partituras Musicais:
Enviadas pelo autor, com exceção de uma, de composição do Maestro Felipe Caparrós.


A peça volta ao cartaz em abril de 1951 e faz temporada no Teatro de Santa Isabel, antes de viajar em excursão a Salvador.


Críticas e comentários:

"Essa formosa peça que o Teatro de Amadores acaba de levar - A dama da madrugada - é qualquer coisa de revolucionário, não somente do ponto de vista das idéias como na maneira de criar-lhes uma relação sensível. Custa-se crer que fora do acervo imenso de tantas situações já examinadas em todos os sentidos, ainda exista um autor que vá descobrir um assunto inteiramente novo e de tão absoluta veracidade, realizando uma peça que se inclui na categoria daquelas raríssimas, das quais dizia o "expert" Sarcey que a gente vê e não esquece mais. Mas não somente na novidade do entrecho está a vitória desse grande escritor que é Alejandro Casona. Suas figuras têm uma morfologia especial - diferentes mesmo dos tipos espanhóis que conhecemos, através das centenas de peças e romances com que temos travado relações. Peça melancólica que talvez não agrade aos espíritos levianos ou indiferentes, ela se impõe, todavia, logo aos primeiros contatos pelo seu conteúdo, talhado em bronze e em pedra. Apesar do seu diálogo por vezes estático, apesar do seu localismo absoluto (a ação decorre mesmo numa vaga aldeia asturiana) a peça de Casona comove e arrebata. E a apresentação que faz o Teatro de Amadores superou a tudo quanto se poderia imaginar. Pode-se dizer, sem exagero, que entre as peças apresentadas por esse grupo, sempre tão cuidadas, esta de agora merece a glória de ser a primeira...
LUCILO VAREJÃO em outubro de 1945, no Jornal do Commercio


"Mereceu a melhor atenção do Teatro de Amadores a montagem da peça de Alexandro Casona. Cenário único e de ótimo efeito.Guarda-roupa característico. "A dama da madrugada" - bonito espetáculo para os que ainda podem dar à poesia a recompensa dum sorriso, ou melhor, duma lágrima".
LUIZ TEIXEIRA

"...Nós que tivemos a grande oportunidade de assistir à representação do Teatro de Amadores de Pernambuco da sutilíssima peça que o poeta Casona escreveu e Valdemar de Oliveira traduziu para o vernáculo. Aqui repito o que afirmei em telegrama: "Ainda estou a sentir "como uma pedrada nos olhos", a estranha, a diferente, a inefabilíssima comoção que me foi assistir à "A dama da madrugada" . E sou inteiramente solidário com o meu brilhante amigo Lucilo Varejão, quando diz " seria interessante que esse grande Casona, que está na Argentina, pudesse vir até aqui", - para ver a notável revelação que de sua peça nos fez, há dias, no Santa Isabel, o benemérito elenco dos "Amadores". De uma coisa estou inteirado: a homogeneidade do vitorioso conjunto teatral pernambucano. Sombra dinâmica e animadora do seu ilustre diretor, a emulação do grupo é fato que conforta e desperta entusiasmos. Cada espetáculo é nova sementeira de triunfos, e arrancada melhor para o mais alto e o mais perfeito. Daí a dificuldade de se poder assinalar, entre os elementos principais do elenco, aqueles de mais brilho ou projeção, pois todos, ou quase todos, se projetam com luz própria e magnificente. Bem haja, pois, a inteligência e o virtuosismo desse punhado de sonhadores, mas de sonhadores da Beleza, sem snobismos farfalhantes nem requintes pedantescos! "A Dama da Madrugada" é peça de que, para se falar bem e certo, só se voltando a ver, pois a surpresa da primeira nos aturde, esmagadoramente...Não se perde uma só palavra do seu diálogo. Cada palavra é uma sugestão de parábola, cada frase - um poema de mistério, alegórico, ao derredor da Noite, das Águas, do Amor e da Morte..."
Poeta Austro Costa


O sucesso, a admiração do público, as críticas , os comentários chegaram ao conhecimento do autor. É dele a correspondência que Valdemar de Oliveira recebeu e traduziu, hoje fazendo parte do acervo do TAP.

"Tudo isso revela tanto fervor artístico, tão minucioso trabalho, tão inteligente compreensão da obra, e tanto amor posto a seu serviço, que só posso corresponder, dizendo-lhe: "obrigado, de coração, a todos vocês ! Obrigado por minha obra e obrigado pela generosidade de seu esforço em bem da arte cênica.! Que uma obra minha seja sublinhada como expressão legítima da alma popular da verdadeira Espanha, representa a maior honra a que eu poderia aspirar. Que glória maior para um artista do que essa de ver seu nome unido à dor e ao destino de seu povo."
Alejandro Casona

 

Parte do elenco
Diná com
Maria da Glória
Mário Fernando, Diná e
Elaine Soares
Valdemar
Mário Fernando, Valdemar e
Elaine Soares
Parte do elenco
Tradutor: Valdemar de Oliveira
Direção: Valdemar de Oliveira
Diretor musical: Felipe Caparrós
Estréia: 6 de outubro de 1945
Local: Teatro Santa Isabel
A Dama da Madrugada
De: Alejandro Casona