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No dia exato, em que completa cinco anos de vida, permanentemente voltada ao Teatro de grande expressão artística, o Teatro de Amadores de Pernambuco oferece ao seu público sua décima oitava peça. Dessa vez a escolha recai num dos mais importantes dramaturgos da época. A reação do público e da crítica chegou a considerá-la uma peça ousada, uma peça de vanguarda, carregada de forte e denso material de que lança mão o autor, no intuito de provocar o engajamento ao movimento antifascista.

ELENCO:

Maria de Lourdes de Oliveira

Catarina

Vicentina Freitas do Amaral

Jattefaux

Walter de Oliveira

Coste

Alderico Costa

Marrien

Adhelmar de Oliveira

Leguerche

FICHA TÉCNICA:

Contra regra:
Francisco Miranda
Ponto: Abelardo Cavalcanti ( Coleguinha )
Maquinista: José Barros
Eletricista: Aníbal Mota
Adereços: Francisco Miranda

- Curiosidade -
Este espetáculo comemorou a
centésima representação do TAP.


Críticas e comentários:

"O espetáculo atende ao projeto cultural do grupo, hoje capaz de impor, ao público, a peça que quiser, sem fazer quaisquer concessões...Ele tem preferência pela peças ligeiras e, especialmente luxuosas; mas aos pouco, e alternadamente, impôs a ele peças de maior relevo: é preciso educá-lo."
Entrevista de Valdemar de Oliveira ao repórter e transcrita por Antônio Cadengue.

E disse mais:
"Não é possível começar do alto. Não é possível ensinar um indivíduo a ler, dando-lhe "Os Lusíadas" para começar. Ou ele inicia com o alfabeto ou nunca aprende. Assim também é o público"

Resposta de Valdemar de Oliveira, a um repórter, com relação a possíveis concessões que o grupo fez, no passado.
Com relação a ter tido coragem de encenar uma peça de autor alemão (estávamos saindo da Segunda Guerra com visíveis feridas em nossa alma) ele respondeu:
"Em plena guerra, cantavam-se, nos Estados Unidos, as óperas wagnerianas e, ainda há pouco, a temporada lírica do Municipal do Rio, inaugurava-se com o "Tanhauser"...Depois é possível atentar na profunda diferença que vai de uma alemão e um nazista. Erich Kleiber, apoteosado no Rio e Thomas Mann, acolhido nas Américas - que são? Todo nazista é um alemão, mas nem todo alemão é um nazista (...) Georg Kaiser escreveu "Um dia de Outubro", na Argentina, há vinte anos atrás, quando não se sonhava ainda com o nacional-socialismo. Será que devemos fechar, também o rádio, aos primeiros acorde de uma sonata de Beethoven ? E queimar, em praça pública, os livros de Ghoethe e Schiller?". Nada mais foi perguntado, pelo visto...


Tradutor: Valdemar de Oliveira
Direção: Valdemar de Oliveira
Diretor musical: Felipe Caparrós
Estréia: 4 de abril de 1946
Local: Teatro de Santa Isabel
Um Dia de Outubro
De: Georg Kaiser