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Abordando temas de amor, guerra e traições o Teatro de Amadores de Pernambuco tráz ao seu grande público uma nova peça de autor alemão, famoso como dramaturgo e romancista Leonhard Frank. Conta a história, que se passa num campo de concentração na Sibéria, de um jovem prisioneiro. que confessa detalhes de sua vida conjugal, descendo a pormenores, que leva o seu companheiro a descobrir em Ana, esposa do amigo, a mulher ideal para a sua vida. Conseguindo fugir do campo de concentração vai à casa do amigo e procurar se identificar como o marido, levado pela similaridade com ele. Tinha esperança que o tempo de prisioneiro tivesse alterado um pouco a fisionomia dele. Para provar conta detalhes de sua vida conjugal. Ana, mesmo sabendo não se tratar do marido, cede aos impulsos e com ele passa a ter uma vida conjugal. Quando toma conhecimento, através de carta do próprio marido, da dificuldade dele em voltar é que o "amigo" coloca as cartas na mesa e conta toda a verdade. Grávida, Ana aceita a situação e com isso a união se fortalece. Retornando à casa o marido, mesmo sentindo-se traído e desmoralizado, aceita a verdade dos fatos. E o "casal" pode agora desfrutar uma vida mais tranqüila e feliz.

ELENCO:

Adhelmar de Oliveira Ricardo
Valdemar de Oliveira Carlos
Mario Barros 1º prisioneiro
Walter de Oliveira 2º prisioneiro
Otavio da Rosa Borges Vigilante
Carminha Carvalho* Maria
Diná de Oliveira Ana

Bebé Fernandes Salazar

Irmã de Maria

Alfredo de Oliveira

Marido

* Estreantes no Teatro de Amadores de Pernambuco

FICHA TÉCNICA:

Entidade beneficiada: Campanha contra a Tuberculose



Críticas e comentários:

" Sou daqueles que acreditam que não se deve criticar uma obra dramática sem uma leitura cuidadosa e meditada, antes de sua encenação. Li, em uma tradução francesa, há uns bons dois anos. "Carlos e Ana" (não sei porque Valdemar de Oliveira transformou o título, em sua versão, para esta frase coleção das moças : "Tinha de acontecer" ...)e dela guardava uma lembrança mais ou menos vaga".
HERMILO BORBA FILHO

O crítico Andrade Lima Filho se manifesta:
"Devo confessar, lisamente que não conheço o original da peça. E essa ignorância, talvez, me arraste ao anátema inicial do Sr. Hermilo Borba, que exige do crítico de uma obra dramática uma cuidadosa e meditada leitura preliminar da mesma. Ora, para mim, que aliás não sou crítico, o Teatro não é leitura, ms visualização. Portanto, muito diferente do romance. Para mim, como espectador, não interessa o original, e sim a encenação do mesmo modo que a execução, e não a partitura, é o que interessa ao assistente de um concerto. A peça se desenvolve numa atmosfera do após-guerra. Ambiente remarquiano. Almas destroçadas que permanecem marcadas pela loucura, cujos rumores não se extinguiram com o último tiro. Porque aquela loucura continua no interior dos lares ferreteados pela desgraça do conflito. Apenas a batalha mudou de cenário. Deixou o "front" , perdeu a sua extensão geográfica, para reacender-se na frente interna das almas atrofiadas, desajustadas, ganhando assim, muitas vezes, uma intensidade terrível. Sobretudo quando essa batalha desce ainda mais, como na peça de Frank, para mergulhar nos porões do sexo. E não é esse, afinal, o drama de Ana, de Carlos, de Ricardo e Maria ? Entretanto, saí do Teatro com saudade daquelas áureas noites dos Amadores, em que me deram uma "Comédia do Coração", por exemplo, ou mesmo aquela A Dama da Madrugada. Será que o conjunto está desafinando?. Será que aquela dificuldade de interpretação, insuperada pela deficiência de ensaios, tenha tirado o melhor da peça, despindo-a daquela força de sugestão, de intensidade psicológica ? Resta-nos esperar, para um melhor juízo da capacidade atual do conjunto, a próxima volta dos Amadores, que se dará após a viagem que Valdemar pretende fazer ao Rio. E ele nos promete dois originais de fôlego: "O pecado Original" de Cocteau, o último sucesso da grande, efetivamente grande Henriette Morineau, no Rio, e as "Bodas de Sangue" de Garcia Lorca, um nome que dispensa apresentações. Nessa temporada eu "madrugarei" no teatro com a disposição de sempre: o primeiro a aplaudir, o último a censurar."
ANDRADE LIMA FILHO, NO Diário da Noite em 19 junho 1947


Valdemar de Oliveira carregando consigo o sucesso da peça assim se manifesta em seu "A propósito, no Jornal do Commercio e coloca o Teatro de Amadores"(...) em seu devido lugar, não disputando qualquer espécie de gloria a ninguém, mas, cioso das tradições já firmadas perante o nosso melhor público, só olhando para frente e para atrás, nunca para os lados."

Alfredo e Bebé Salazar
Valdemar e
Diná de Oliveira
Carminha Carvalho e Valdemar
Carminha Carvalho e Diná
Adhelmar de Oliveira
Diná e Valdemar de Oliveira
Tradutor: Valdemar de Oliveira
Direção: Valdemar de Oliveira
Estréia: 19 de junho de 1947
Local: Teatro Santa Isabel
Tinha de Acontecer
De: Leonhard Frank