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Mais uma vez o Teatro de Amadores de Pernambuco contrata um diretor de fora para dirigir seu elenco. Obedecendo ao princípio de que quanto mais diretores contratados de fora, mais o seu elenco ganhará em experiência e o público em qualidade A peça traz o enredo, de uma grande paixão, vivida pelo personagem Sebastião, senhor de terras, conhecido pelas conquistas e pela quantidade de amantes na região. Entre elas Marta, que se torna sua maior inclinação afetiva e sensual. Casando-se com filha de um seu visinho, evidentemente por interesses outros e não por amor, continua a manter um relacionamento com Marta.. Consegue casá-la com um pastor de ovelha (Manelic) porém o relacionamento persiste, criando situações desagradáveis para o marido, constantemente ridicularizado pelos amigos. O relacionamento de Marta com Manelic vai aos pouco conduzindo Marta a conhecer melhor o seu marido, por quem termina se apaixonando, confessando toda a verdade. Procurando na vingança a solução do seu drama Sebastião manda embora de suas terras o casal. Trava-se luta entre os dois com a morte de Sebastião e a fuga do casal para as montanhas, de onde originalmente vieram.

ELENCO:

Walter de Oliveira Xeixa
Bebé Fernandes Salazar Pepa
Vicentina Freitas do Amaral Antônia
Maria de Lurdes Reinaldo* Nuri
Diná de Oliveira Marta
Aderico Costa Nando
Dédrano Lima José
Reinaldo de Oliveira* Peluca
Valdemar de Oliveira Tomás
Otávio da Rosa Borges Manelic
Adhelmar de Oliveira Sebastião
Mário Barros Mosén
* Estreando no Teatro de Amadores de Pernambuco

FICHA TÉCNICA:

Cenário: Lula Cardoso Ayres
Assistência Técnica: Walter Amêndola
Eletricista: Aníbal Mota
Maquinistas: José de Barros e João Alves
Produção: Teatro de Amadores de Pernambuco

Nota: Foram dados 9 espetáculos.


Comentários:


Repercutiu muito nos meios artístico do Recife e da crítica especializada a contratação, pelo Teatro de Amadores de Pernambuco, no Rio de Janeiro, do consagrado diretor e ensaiador Adacto Filho. Trazia uma bagagem de bons serviços prestados à cena Nacional notadamente com "Os comediantes" onde dirigiu Capricho, de Alfred de Musset, que o TAP já levara em 1945, O leque de Carlo Goldini, para citar apenas duas. Era ligado ao Teatro do Estudante do Brasil. Toda crítica fez referencia a presença entre nós de um novo ensaiador para dar, aos amadores, o avanço artístico tão necessário a um conjunto com apenas sete anos de existência

Valdemar de Oliveira em seu "A propósito" de 17/5/48 nos informa no Jornal do Commercio:

"Ainda a crédito de Adacto Filho - de cuja personalidade me venho ocupando como preito de justiça aos seus reais méritos de ensaiador e diretor de cena - se deve lançar duas criações artísticas que, sem ele, não teriam sido possíveis, nos quadros do Teatro de Amadores." E passa a relatar a firmeza com que molda os personagens criados pela sua mão, como diretor.

Em outro artigo: " sua atuação em Planície foi além da expectativa, porque, mais afeito, ao que se dizia no Rio, às peças de fantasia, leves ingênuas, poéticas, ele revelou uma forte capacidade dramática e um conhecimento profundo das paixões." E procura fechar em seu "A propósito" : "Diante de "Planície" desde os primeiros ensaios lhe sentimos o poderoso vigor da interpretação - da interpretação de tipos estranhos ao nosso clima humano, homens e mulheres meridionais, rústicos, impetuosos, meio selvagens e, acima de tudo isso, catalães. (...) o que Adacto Filho nos ensinou, então em gesticulações - a gente peninsular é excessiva em gestos e atitudes plásticas - e em mobilidade de máscaras, não teríamos aprendido nunca se persistíssemos naquele autodidatismo que tanto se apontava em nós como entrave ao progresso. Se me parece não movimentar tanto quanto devia os personagens, quando em número superior a três ( e ele não o faz por incapacidade mas, conscientemente) muitas são as outras oportunidades em que me fico a admirar seu perfeito conhecimento do "métier", não raro descordando a princípio, intimamente, para depois render-me à evidência do acerto. Dá, em tudo, suas razões e, sabendo bem exprimir seu pensamento, oferece-nos verdadeiras aulas de expressão moral e fisionômicas, que nos têm sido extremamente valiosas."

Do escritor Mário Sette, no Jornal o Diário da Noite de 20 de maio de 1948:
"Por todos os motivos saí satisfeito do "Santa Isabel" na noite em que fui ver "Planície" (...) é um drama de paixão e de violência da Catalunha, agradou-me bastante. Em que hajam nessa peça os aspectos trágicos das velhas peças do teatro de minha mocidade, por sinal esplendidamente vividos pelos grandes nomes da cena de outrora. Planície nos trouxe, através do trabalho vibrante dos "Amadores", um pouco daquele clima de veemência traduzido pelos talentos de Amélia Vieira, de Fernando Maia, de Lucila Simões ou dos Rosas. (...) O desempenho dos "Amadores" afiança-se pelo grau de emoção despertado e mantido na platéia. Essa atitude foi uma fiança do êxito dos artistas e das credencias do Sr. Adacto Filho que os vem orientando e deu-nos o primeiro fruto dessa tarefa com a encenação de "Planície", todos merecem os aplausos. E a nos proporcionarem a satisfação com que saímos outro dia do velho Santa Isabel."

Valdemar de Oliveira em 6 de abril de 1948, em seu
"A propósito" afirma:

"...somente uma coisa uma coisa é certa: os "Amadores" não descansarão, enquanto Adacto Filho estiver aqui. E se ele puder vir "para aqui, então os projetos serão muito mais altos e vocês todos vão ver uma coisa... Por enquanto, "Planície", "Planície", "Planície", como uma afirmação do espírito de luta e de força dos Teatro de Amadores".

Isaac Fleischmen, em especial para a "A cena muda", em 22 de junho de 1948, exaltando o trabalho do Teatro de Amadores afirma com o título " Os amadores contra o mau teatro":

"A luta contra o mau teatro está portanto travada em Pernambuco, em vários setores, com diversas armas, com bastante tática, com magnífico plano estratégico. Tendo à frente Valdemar de Oliveira, o "Teatro de Amadores" agora no sétimo ano de existência, está levando o melhor teatro ao povo, dentro de uma conduta impecável. Essa organização conta em seu elenco com figuras distintas da sociedade pernambucana, médicos, advogados, comerciários, com suas esposas, filhos, irmãs, todos visando reabilitação do bom teatro e o auxílio às instituições de caridade, para onde é canalizada parte da renda de todos os seus espetáculos. É uma escola dramática de reconhecido valor."

Do crítico R.V.M. em artigo de 25 de maio de 1948 assim escreve:
"Os amadores são uns eternos aprendizes da arte de representar e todo o seu esforço é no sentido de elevar sempre os seus padrões artísticos. Agora mesmo contrataram um profissional da competência de Adacto Filho, que se encontra no Recife. Dirigindo espetáculos e tornando-se o centro de um interessante movimento teatral entre estudantes. Também por iniciativa do Teatro de Amadores lá esteve José Jansen, que foi ensinar os segredos da caracterização, uma especialidade em que fala de cadeira".

Hermilo Borba Filho em seu "Fora de cena", em 17 de março de 1948, crônica que manteve durante muito tempo na Folha, no Recife, pinçamos os seguintes comentários:
"..consideramos o Teatro de Amadores, dentro do seu programa, uma das mais sérias organizações teatrais do país. Iniciou-se, mesmo, aqui no Nordeste, quando "Os comediantes" começaram a fazer surgir, no Sul, o movimento de renovação do teatro brasileiro, não tanto pelas suas primeiras peças (à parte Dr. Knock), mas, sobretudo, pela dignidade do empreendimento e pelo que prometia fazer e fez. Por isso ficamos satisfeito, alegres, por verificarmos que o Sr. Valdemar de Oliveira, querendo e podendo já agora financeiramente, fugir do autodidatismo, trouxe ao Recife, um dos mais sérios e competentes diretores de cena, como é o caso de Adacto Filho. Com isso lucra todo o mundo. O conjunto, por aprender coisas novas. O público, o maior beneficiado, vendo teatro do bom Pernambuco, por ter engrandecido a sua cultura no que se refere à arte dramática. E o próprio ensaiador, porque raramente ele terá oportunidade, mesmo na capital do país, de lidar com atores tão experimentados e tão "justa medida" como são os do Teatro de Amadores."

Tradutor: Adacto Filho
Direção: Adacto Filho
Estréia: 3 de Abril de 1948
Local: Teatro Santa Isabel
Diná, Adhelmar e Otávio
Valter, Adhelmar e Valdemar
Diná e Otávio
Otávio Rosa Borges
Parte do elenco
Planície
De: Angel Guimerá
Elenco com Adacto