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Conhecedor profundo da obra de Molière, Adacto Filho, não poderia encontrar, no Brasil, um conjunto amador, de tamanha homogeneidade como TAP. Atendia aos acertos feitos, em correspondência com Valdemar de Oliveira, em que manifesta o desejo de ensaia-la. Tudo foi feito com muito cuidado. Sabia, a direção do TAP, da responsabilidade em apresentar ao seu público um Teatro clássico, que, sem dúvida, proporcionaria ao seu elenco conhecimento de uma obra da envergadura de "Escola de Maridos" e daria ao público do Recife um espetáculo, pouquíssimas vezes apresentado em palcos da terra. Uma história simples, envolvendo dois irmãos, em namoros com suas pupilas, por sinal também irmãs, em ambiente alegre e descontraído, onde ciúmes e artifícios, que só as mulheres têm, conseguem tudo aquilo que seus desejos e suas artimanhas procuram, num entrecho pitoresco pelas ações e pelo ritmo que o espetáculo proporciona.


ELENCO:

Walter de Oliveira Sganarello
Valdemar de Oliveira Aristo
Maria de Lourdes Reynaldo Isabel
Carminha Carvalho Leonor
Diná de Oliveira Lisette
Alfredo de Oliveira Valério
Dédrano Lima Ergasto
Otávio da Rosa Borges Comissário
Mário Barros Notário
Reinaldo de Oliveira Garoto
Fernando de Oliveira* Garoto
* Estreando no Teatro de Amadores de Pernambuco


FICHA TÉCNICA
Cenário: Santa Rosa
Confecção do cenário: Carlos Amorim
Chapéus: Madame Palha
Roupas: Malharia Imperatriz
Cebeleiras: Odete - Arte - Beleza
Sapatos: Buffone
Produção: Teatro de Amadores de Pernambuco


CRÍTICAS E COMENTÁRIOS

"Bom desempenho, de um modo geral, sentindo-se a experiência do Sr. Adacto Filho, de uma maneira salutar, conseguindo exprimir o espírito francês daqueles tempos. (...) Um espetáculo que nada desmerece todos os triunfos anteriores; pelo contrário."
HERMILO BORBA FILHO

"Assisti a "Escola de Maridos" como se percorre um museu: vendo maravilhas"
ISAAC GONDIM FILHO

Destacando o papel interpretado pelo Walter de Oliveira assim se pronunciou o crítico Andrade Lima Filho:
"Sganarello aquele velhote careca, feio, sujo e mal vestido, o lenço de rapé, sobrando do bolso da jaqueta, trancando a pupila a sete chaves, apaixonando-se por ela e por ela sendo maliciosamente ludibriado, é de um ridículo atroz. E não há duvida: Walter correspondeu ao ripo molieresco. (...) Sganerello é assim uma das mais eloqüentes criações da sátira molieresca. E esteve perfeito nesse papel, repito, o ator Walter de Oliveira, a quem Mer. Pouecel (Adido Cultural da França) chegou mesmo a considerar "prodigioso". Foi, numa palavra, o dono da peça."
Teceu algumas considerações e críticas aos outros interpretes e à própria direção recebendo de Valdemar de Oliveira a seguinte resposta: "Obrigado por me haver feito ver que ando demasiado empertigado, em cena, e segurando o bastão como ares de mestre-sala. Por dizer que caímos, todos, uns mais outros menos, no recitativo. É que precisamos corrigir nas próximas representações. (...) Você está enobrecendo , no Recife, a crítica teatral. É tudo quanto desejo é que os próximos espetáculos do Teatro de Amadores, lhe inspirem novos conceitos, inspirados no mesmo critério superior de apontar falhas e virtudes, com a mesma pena de amigo de Pernambuco."

Em outro artigo Valdemar de Oliveira tece considerações à direção de Adacto Filho:
"Em "Escola de maridos" nos deu a melhor medida do seu valor como diretor de cena. Ele soube transmitir a todos nós, que durante sete anos jamais enfrentamos uma peça clássica, vivida à época, tudo que era preciso para que o Molière da "Escola de Maridos" subisse à cena pela primeira vez no Recife, dentro da tradicional dignidade artística dos Amadores."


Walter, Maria de Lourdes e Alfredo
Maria de Lourdes e
Walter
Maria de Lourdes e
Waltger
Alfredo, Walter e Dédrano
Tradutor: Artur de Azevedo
Direção: Adacto Filho
Estréia: 6 de Maio de 1948
Local: Teatro Santa Isabel
Cenário com parte do elenco
Escola de Maridos
De: Molière
Ensaio com o Diretor