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ELENCO:


Bebé Fernandes Salazar

Madalena

Bibi Regueira *

Martíario

Carminha Carvalho

Angústias

Diná de Oliveira

Bernarda

Edissa Bancovsky *

Amélia

Esmeraldina H. Cavalcanti *

3* mulher e Prudência

Geninha Sá da Rosa Borges

Adélia

Júlia Gomes da Silva *

4* mulher

Lais Macedo *

Jovem

Margarida Cardoso *

Poncia

Maria do Carmo Regueira Costa

Criada

Nacy Pereira de Luna *

1* mulher

Nina Salazar *

2* mulher e mendiga

Vicentina Freitas do Amaral

Maria Josefa – a louca

* Estreando no Teatro de Amadores de Pernambuco

FICHA TÉCNICA

Cenário: - Eros Gonçalves
Figurinos: - Eros Gonçalves
Iluminação: - Eros Gonçalves
Pertences: Eros Gonçalves
Sonoplastia: Reinaldo de Oliveira
Ponto: Abelardo Cavalcanti
Contra regra: Francisco Miranda
Maquinista: José Barros e João Alves
Eletricista: Aníbal Mota
Trecho melódico: Felipe Caparrós
Gravações: Radio Clube de Pernambuco

Valdemar de Oliveira em entrevista, ao museu da imagem e do som da Prefeitura do Recife, conta como começou a sonhar com "A casa de Bernarda Alba". Havia lido, a bordo do avião que o trouxe da Europa e logo que chegou telefona para Hermilo Borba:

- "Hermilo você tem a tradução Espanhola, a tradução não, o original porque eu li agora do Francês.
- Tenho, mas para que Valdemar ?
- Bom, eu quero montar pelo Teatro de Amadores.
- Ah, mas você não vai conseguir número de moças necessárias.
- Bom, isso você deixa comigo.

" E conseguiu. Reuniu 18 moças, 18 elementos femininos e realizou o espetáculo de maior projeção na vida do TAP, transpondo as barreiras do Recife e se projetando no cenário Nacional como poucos conjuntos, no Brasil conseguiram. - "Vão fazer teatro bem, assim, no inferno ! gritou Pedro Bloch, enquanto Austragésilo de Ataíde, Presidente da Academia Brasileira de Letras,emocionou a todos do Teatro de Amadores de Pernambuco com essa afirmação: "Lorca: o teu teatro foi representado no Brasil tão bem quanto teria sido na própria Espanha !"


CRÍTICAS E COMENTÁRIOS

"A CASA DE BERNADA ALBA" foi a peça que mais críticas recebeu em toda a vida do Teatro de Amadores de Pernambuco. Razões existem, pois a sua montagem correu o Brasil, em memoráveis temporadas, o que veio a provocar as maiores manifestações, não somente da crítica especializado, como dos intelectuais, de outras áreas, que assistiram ao espetáculo. Daí que, alem das criticas e dos comentários, que abaixo serão descritas (em resumo), pode o interessado obter outras, que serão inseridas nas excursões.


"... Lorca, meu irmão, garanto-lhe que continuas vivo, com tua poesia e o teu teatro. Não há prova melhor do que a representação que assisti, da tua "Casa de Bernarda Alba"
Hermilo Borba Filho. Folha da Manhã - Edição vespertina 9/12/48

"Escandalizei-me, porque vi batendo palmas calorosas, no dia da "avant-première", na primeira fila, onde os "feras" se sentam, como juizes, pra julgar. Sempre que vou ao teatro não aplaudo, quer goste , quer não. É um velho hábito, que me vem do tempo em que ainda não tinha obrigação de escrever sobre o assunto.. Mas, também , naquele dia, bati palmas, numa quebra daquilo que considero tradição nos meus hábitos"
Diário de Pernambuco

"Não apareceu, até agora pela imprensa uma opinião discordante nem quanto à escolha do original, nem quanto ao desempenho, e isto vale, para dizer que "A CASA DE BERNARDA ALBA" foi o melhor espetáculo que já nos ofereceu o conjunto local"
Jornal do Comércio

"Peça forte, de situações brutais, por vezes, "A CASA DE BERMARDA ALBA", de Garcia Lorca, levada à cena pelo Teatro de Amadores de Pernambuco dessa capital, provocou, nas passagens mais violentas e dramáticas - como a fala de Maria Josefa, a louca, admiravelmente interpretada pela Vicentina do Amaral e quando das freqüentes disputas entre as irmãs, apaixonadas pelo mesmo homem - gostosas risadas do elegante público que ocorreu ao Santa Isabel, para apreciar, de perto, as indiscutíveis qualidades artísticas de senhorinhas de nossa melhor sociedade. (...) Achar graça, porem, em "A CASA DE BERNARDA ALBA" onde se debatem personalidades estranhas e profundamente trágicas, é fenômeno digno de estudo"
Flora Rachman, na Folha da manhã - 10/12/1948

Sobre o assunto Valdemar de Oliveira assim se pronunciou: "Certa parte do público está merecendo que coloque à boca de cena, em certos espetáculos, uma tabuleta avisando que a peça não é para rir."

Ainda sobre o acontecimento Hermilo Borba Filho, em final de um artigo onde elogia a interpretação de Vicentina no papel da louca escreve: " O limite entre a demência e o ridículo é quase nenhum e aí reside o vigor da intérprete, não se levando em conta a risada de meia dúzias de ignorantes que deve ser considerada uma homenagem e não um desfeita a essa amadora".

O curioso nesse triste acontecimento foi o fato dele vir a se repetir durante temporada da grande atriz Henriette Morrineau, no mesmo Teatro de Santa Isabel, em março de 1949, e que foi noticiado pela imprensa pelo colunista J.B. no Jornal do Commercio:
"Cena desagradabilíssima verifocou-se, à noite, No Santa Isabel, durante a última representação de "Frenesi", quando a Sra. Henrriette Mourineau se encontrava num dos momentos mais dramáticos da notável peça: gaiatos mal educados aos extremos - pois de outro modo não se poderia compreender irreverente atitude - achavam que deveriam "interferir" na cena com ditos xistosos, prova evidente de sua má educação. O que levou grande artista a interromper a cena para dar-lhes uma lição de moral, alias bastante aplaudida com calorosa salva de palma."


"Sem mede de cometer uma injustiça, pode-se afirmar que foi o melhor trabalho do mais antigo conjunto amadorista do Recife. (...) Um belo trabalho, e desempenho dessas senhoras e senhoritas, que compõem o elenco, visto de conjunto. Empolgante a peça de Lorca, somente agora conhecida no Brasil. E é provável que, com a continuação dos espetáculos, o desempenho melhore ainda mais"
J.B. em "Teatro" a 8/12/1948.

Um dos pontos alto do espetáculo, foram observados na beleza dos cenários de Erós Gonçalves. Em entrevista a imprensa assim se pronunciou: "O terceiro período do meu curso na Escola de Decoração Cênica, foi o mais interessante.(...) Ali aprendi um trabalho perfeito, onde artífices procuram se aproximar o mais possível dos desenhos originais. Em nenhum ponto da Europa aprendi tanto sobre a arte de decoração teatral, como na Inglaterra. Eu tinha um velho compromisso com Valdemar de Oliveira. Achando-me no Recife, à época em que escolheu 'A CASA DE BERNARDA ALBA", não fiz mais do que cumprir o que havia prometido; colaborar com o Teatro de Amadores de Pernambuco. Estou contente, porque tudo me foi facilitado. E o que fiz, parece-me, não desagradou de todo." E foi uma verdade:

"Eros Gonçalves, mostrou ao público do Recife, a sua técnica perfeita na construção dos cenários, tipicamente espanhóis"
Luiz Maranhão Filho, no Jornal Pequeno, de 9/12/1948

"Um dos traços marcantes da representação de "A CASA DE BERNARDA ALBA" , foi, sem dúvida, o trabalho de cenários apresentados pelo pintor Eros Gonçalves. (...) Deu-nos o consagrado artista , uma visão perfeita - um tanto sintética de um interior de família rica, embora rústica, e de um pátio da mesma casa, com suas paredes "branquíssimas" como pede a rubrica da peça."
Diário da Noite de 9/12/1948.


"... e o que dizer do cenário, onde Eros Martins Gonçalves soube construir uma atmosfera de forte discrição arquitetônica com um equilíbrio de linhas admiravelmente ajustadas ao drama no seu "Climax". Direção, interpretação, cenários, figurinos, luzes, sonoplastia, tudo harmonicamente reunido, fizeram com que o Teatro de Amadores de Pernambuco encerasse 1948 com a maior representação teatral do ano."
Aderbal Jurema - Canto de página


"Os cenários, figurinos e efeitos de luz de Eros Gonçalves, admiráveis, bem como todos acessórios que integram a representação de ontem. Assisti, realmente, a um bonito espetáculo do Teatro de Amadores de Pernambuco.
J.B. 8-12-1948 na página "Teatro"

Excursionou a Salvador, estreando no dia 27 de fevereiro de 1951, onde se apresentou 19 vezes, tendo feito parte da temporada outras 4 peças.
Em 1953 excursionou ao Rio de Janeiro estreando no dia 3 de janeiro. 44 récitas.

Em Março de 1954 fez excursão a Porto Alegre alterando o elenco:

Hercy Lapa de Oliveira

Criada

Francisco de Oliveia

Mendiga

Nair Brito Miguel

1* Mulher

* Nairzinha Brito Miguel

2* Mulher

Ladyclaire de Oliveira         

3* Mulher

Maria de Lourdes

4* Mulher

Janice Cantinho Lobo

Madalena

Iolanda Marques

Amélia

Tereza Farias Guye

Martírio

Demais papeis interpretados pelos mesmos atores da estréia.

Em Abril e Maio de 1981, foi remontada no Teatro de Santa Isabel com o seguinte elenco:

Bebé Salazar

Criada

Adaura Barreto

Mendiga

Adaura Buarque

Prudência

Fátima Toscano

1ª Mulher

Nita Campos Lima

2ª Mulher

Águeda Renata Dias

Jovem

Norma Almeida

Poncia

Diná de Oliveira

Bernarda

Geninha Rosa Borges

Adélia

Dulcinéa de Oliveira

Martírio

Zélia Dias

Amélia

Lêda Barbier

Angustias

Violeta Claudia Torreão

Madalena

Vicentina Freitas do Amaral

Maria Josefa

Lenira Fontes

Visita

Mauricélia Paulino Nascimento

Visita             


Outras opiniões e comentários podem ser obtidos nas
excursões do Teatro de Amadores de Pernambuco.

Tradução: Maria Rosa Ribeiro
Diretor: Valdemar de Oliveira
Estréia: 7 de dezembro de 1948
Local: Teatro de Santa Isabel
Tereza Guye e Geninha
Geninha, Carminha, Diná e
Tereza Guye
A Casa de Bernarda Alba
De: Garcia Lorca
Diná, Margarida, Vicentina,
Maria do Carmo
Geninha, Janice, Diná,
Margarida e Edissa
Margarida e Maria do Carmo
Parte do elenco