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Foi feliz Valdemar de Oliveira na escolha da peça e do ensaiador, que foi buscar no Rio de Janeiro, e que chegou ao Recife no dia 30 de agosto de 1950, o alemão Willy Keller, técnico em teatro, como foi chamado em diversos artigos publicados na imprensa da cidade, que alem de diretor fez questão de tomar parte no espetáculo no papel de Marc. Trazia em sua bagagem a montagem, no Riode Janeiro da peça "Manequim" de Henrique Pongetti. Ficou satisfeito Valdemar de Oliveira, como responsável pela sua vinda, com a linha que o diretor deu ao espetáculo, imprimindo ao contexto da peça que a "família de "Vanderhof" não é uma família maluca, mas, simplesmente um agrupamento doméstico que tem uma deferente concepção da vida, fazendo cada qual, o que mais lhe apetece, sem com isso incomodar ninguém. De onde a necessidade de apresentar "Vanderkof" e sua gente em sua essência mais pura, sem recorrer a comicidade forçada. De fato, a comicidade terá de emergir das próprias situações da peça e não do exagero ou do grotesco intencional das criatura de Kaufman".
Antes dos ensaios, o Clube Náutico Capibaribe, abriu seu salão para passar o filme de Frank Capra, tirado da peça "DO MUNDO NADA SE LEVA". Foi uma oportunidade para que o elenco tomasse conhecimento, embora com outros olhos, e constatar a utilização de muitas situações e textos já em estudo por parte da direção. Foi também uma ótima oportunidade para a apreciação que definem os limites entre o cinema e o Teatro. A verdade é que no filme se desdobram novos aspectos, dentro da ampla liberdade que a técnica cinematográfica permite. Na peça teatral a ação ganha em densidade, -se enriquece pela presença real dos personagens.


ELENCO:

Diná de Oliveira Penny
Janice Cantinho Lôbo Essie
Maria do Carmo Regueira Costa Rheba
Geninha Sá Alice
Hercí Lapa de Oliveira Gay
Vicentina Freitas do Amaral Sra. Kirby
Margarida Cardoso Grã Duquesa
Alderico Costa Vanderhof
José Maria Marques Eddie
Sebastão Ramalho Paul
Walter de Oliveira De Pina
Mauro de Almeida Donald
Reinaldo de Oliveira Tony
Alfredo de Oliveira Henderson
Otávio da Rosa Borges Kolenkof
Valdemar de Oliveira Um homem
Rodomil Xavier Jim
Willy Keller Mac



FICHA TÉCNICA:

Produção: Teatro de Amadores de Pernambuco



CRÍTICAS E COMENTÁRIOS:

A Folha da Manhã do dia 23/10/1951 assim noticia
a estréia da peça.

"Desse conjunto já escreveram as melhores coisas; e um álbum do Teatro de Amadores, consigna as mais notáveis opiniões, uma de críticas autorizadas, outras de quantos, sentido apenas a arte, confraternizam facilmente com os críticos. É preciso louvar a tenacidade com eu esses amadores alimentam o fogo sagrado, escolhendo e recrutando valores locais, enquanto põem na seleção das peças um gosto digno de todas os louvores. Nisso está, ao nosso ver, a maior contribuição do Teatro de Amadores: a fixação de um clima artístico essencial, de modo que, em meio à chanchada ou a estupidez, tenhamos um refúgio amável. O que não podemos tolerar pe que se faça Teatro um ganha-pão ordinário, um instrumento reles de paixões, um meio de sobreviver à custa da exploração do gênero fescenino, quando a decadência individual já não permite conservar o disfarce de uma arte remetida, a que, por alguns momentos, uma propaganda paga deu vida artificial e efêmera. Isso é que não. O Teatro é arte, tem uma emoção artística. Quando não há isso, também não há Teatro. O Teatro de Amadores continua a sua tradição..."


Willy Keller escreve ao seu amigo Pascoal Carlos Magno, e emite o seu conceito com relação ao Teatro de Amadores de Pernambuco, principalmente, quando fala na freqüência do público no Recife.
"...para o Teatro de Amadores esta ausência de uma crítica teatral não apresente problema. Tem a sua platéia fixa e basta um ou dois anúncios nos jornais e umas notinhas na imprensa e no rádio para que ela se apresente em peso. Vi aqui Companhias Profissionais, adiar duas vezes a sua estréia por falta completa de assistência. Vi aqui que o público já não pode ser mais embrulhado com títulos meio escandalosos. O Teatro de Amadores em dez anos de existência, conseguiu apurar o gosto do público e dar-lhe um senso crítico infalível, de maneira que a platéia do Teatro Santa Isabel é hoje uma das mais exigentes do Brasil".


Tradução: Maria de Lourdes de Araújo Lima
Direção: Willy Keller
Estréia: 21 de Outubro de 1951
Local: Teatro de Santa Isabel

Diná de Oliveira
Walter, Sebastião Ramalho e Diná
Mauro Almeida, Otávio e Janice
Geninha, Diná, Reinaldo e Walter
Do Mundo Nada se Leva
De: George Kaufman e Moss Hart