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Um dos textos mais significativos que o Teatro de Amadores de Pernambuco levou à cena. A peça tem no Inspetor, o centro de todo o desenrolar do drama que Priestley joga na consciência do público fazendo com que sua mensagem fique gravado no subconsciente de todos os espectadores. A peça tem nele o sentido de uma voz alta da consciência humana, invadindo a alma de uma família que festejava em torna da mesa de jantar, um noivado. A chegado do Inspetor, quebra dramaticamente aquele momento de alegria, quando relata o suicídio de uma jovem e envolve a todos, no drama vivido pela jovem. Cada um se sente envolvido no acontecimento. Quando é apurado que o inspetor nem chegava a existir, como realidade física e muita menos moral, o que vê é a tentativa de tudo voltar a normalidade, com a pretensa certeza de que nada envolveria a família num escândalo social. O importante, entretanto, era afastar o escândalo da imprensa. Embora reconheçam o envolvimento com o triste fim de uma jovem, a burguesia corrompida e insensível tenta continuar a festa, regada a muito "wisky", na ilusão que o perigo havia passado. O telefone toca. Silêncio. É como um personagem, que invade ação dramática daquele momento. Um inspetor está a caminho... vem fazer umas perguntas... a campainha da porta toca e "Está lá fora um inspetor" é novamente anunciado pelo "porteiro". É o "tempo", "brinquedo" que Priestley sempre usa em seus originais conduzindo o espectador a pensar, raciocinar. No caso, específico de "Está lá fora um inspetor" o bom espectador, vai levar consigo uma mensagem para o resto de sua vida. Quem assiste, vai sempre ter, em sua consciência, a figura do Inspetor, a procurar conduzir as suas ações nos caminhos justos, sem deixar remorsos ou culpa.


ELENCO:


Adhelmar de Oliveira Mr. Birling
Reinaldo de Oliveira Gerald Croft
Janice Cantinho Lôbo Sheila
Diná de Oliveira Mrs. Birling
Sebastião Vasconcelos Éric
Antônio Brito James
Valdemar de Oliveira Inspetor Goole



FICHA TÉCNICA
Maquinista:
Alceu Domingues Esteves/ Aluísio Pereira de Santana
Eletricista: Aníbal Mota
Produção: Teatro de Amadores de Pernambuco


- Remontado em 1954

Foi também remontada em dezembro de 1957,
tendo viajado para Fortaleza, em excursão.



Críticas e comentários:

Nilo Pereira, na Folha da Manhã do dia 29-9-1953, assim se manifesta:
"O desempenho dado pelo Teatro de Amadores foi completo. Ainda ante-ontem , no seu "A propósito" dizia Valdemar de Oliveira que era preciso "revalidar a arte teatral, mostrando-a em toda a sua grandeza, para que se não perca o seu verdadeiro significado". De uma coisa pode Valdemar de Oliveira ufanar-se: seu Teatro é, integralmente, uma grande revalidação de uma arte que não tem meios termos: ou é arte, como no caso, ou é mistificação e baixo lucro comercial."

Na Folha da Manhã do dia 13 de setembro de 1053 Otávio Cavalcanti comenta o esptáculo:
"De volta ao palco do Santa Isabel, o Teatro de Amadores estreou ante-ontem com a anunciada peça "Está lá fora um inspetor", original em 3 atos de J.B. Priestley, em tradução de Odilon Azevedo, que marcou temporada de grande sucesso quando lançada no Rio de Janeiro e teve um grande intérprete no ator português João Villaret. A montagem dos Amadorers está, em todos os sentidos, digna de nota: bem marcada a peç e bem ensaiada , um cenário decente e luxuoso, onde não se nota o certo mau gosto" imposto pela rubrica do autor; intérpretes bem trajados, a rigor, e desempenho correto em todas as situações. Um espetáculo que prende o público com constante "suspense", um texto e representação. Note-se que o autor tem ua característica própria: a peça pelo seu tema e pela sua urdidura, lembra "Esquina Perigosa", com os mesmos "casos" de família e uma seqüência de ações , em que todos participam do acontecimento, voluntária ou involuntariamente, através do que, está a mensagem do autor: problemas humanos, sóciais, críticas, etc, mas, sem uma solução no desfecho da peça. Apenas a exposição do fato. Que o espectdor tira as suas conclusões;"

No Suplemento de Divulgação Artística, com direção de Wilton de Souza e Luiz Mendonça 'EVOLUÇÃO NAS ARTE" transcrevemos opinião do cronista e jornalista Mário:
"Talvez tenha sido o melhor desempenho do Teatro de Amadores de Pernambuco. No decorrer de toda a peça, o mais carrasco dos críticos não encontrou uma falha si quer. O desempenho foi maravilhoso, e perfeito. Dizemos não por ser admirador deste grupo teatral, mas sim, porque encarando a difícil interpretação da peça nós vimos em cada personagem o retrato fiel do papel que desempenhou. Tivemos um Alfredo de Oliveira perfeito, protipisando um fiel pai de família rico, os seus problemas, os seus sentimentos e as suas maldades. Uma diná de Oliveira melhor ainda; com todas as características de uma pernóstica e convencida Sra. Da Sociedade. Um Sebastião de Vasconcelos admirável e uma Geninha um pouco apressada e nervosa, porém magnífica em seu papel. E o inspetor ? - Perguntaria alguém que agora lê esse artigo. E responderíamos: Jamais na vida vi um desempenho igual neste gênero. Valdemar de Oliveira é realmente um grande ator, não ficando por baixo também a suja direção segura e perfeito. Imitando um inspetor inglês da Scotiand Yard, ele arrancou, lágrimas e sorrisos dos olhos do espectador, que saiu do Teatro Santa Isabel com esta frase na cabeça: " O Teatro de Amadores de Pernambuco é o melhor grupo teatral do Nordeste e do Brasil".

Em setembro de 1955 excursionou à cidade de Natal. De lá, Ângelo de Agostini escreve para o Jornal Pequeno, do Recife:
" Não é bairrismo não, mas o certo é que respiramos hoje, no Carlos Gomes, outro ar. Um ar puro, mais arejado, como há muito não respirávamos, É que, no palco, o nosso invicto Teatro de Amadores de Pernambuco estava cumprindo a última noitada desse excelente Festival Nortista de Teatro Amador: mais excelente no aspecto social do que propriamente no artístico pesa-nos dizer. Mas chegou o TAP e fechou o conclave, idealizado e organizado por Meira Pires, com chave de ouro. A gente não precisa ser crítico para sentir a grande diferença que há entre o TAP e a maioria dos conjuntos que se apresentaram no Festival. Rigorasamente, apenas o teatro de Cultura da Bahia fez-lhe sombra. Mas, ainda assim, souberam os comandados de Valdemar de Oliveira alcançar para o TAP os louros de conjunto mais homogêneo com a sua encenação da peça de Priestley "Está lá fora um inspetor".

Interessante assinalar, com a representação da peça "Está lá fora um inspetor", uma novidade durante os espetáculos do Grupo. Um debate sobre a peça. Assim assinala em sua crônica Isaac Gondim Filho no dia 22/9/53:
"O Teatro de Amadores de Pernambuco tentou restaurar um bom sistema de troca de idéias e opiniões, após o primeiro espetáculo de "Está lá fora um inspetor", de J.B. Pristley, recentemente estreado no Teatro Santa Isabel. A idéia parece-nos tão boa que desejamos ressaltar convenientemente esta maneira de divulgação a elevação do teatro nos seus conceitos mais íntimos. (...) Além disso, tal maneira de discutir a tese da peça e os pormenores do espetáculo traria também benefício àqueles que se sentem pouco desembaraçados em aparecer ao público ou que só se sente, realmente deslocado, ao ter que falar diante de um platéia. Por isso, mais uma razão, cremos, a favor dos debates."

Também registra, Jorge Abrantes, os debates: "Na noite de estréia de "Está lá fora um inspetor" (e certamente nas seguintes) o Teatro de Amadores após o espetáculo, apresentado com o apuro habitual, provocou um entrave ligeiro debate com a platéia, a cerca da peça."

Men de Sá, da Folha da Tarde de Porto Alegre em 12 março de 1954:
"A peça é um libelo a contra a sociedade capitalista,o choque de duas mentalidades, e sobre tudo, o drama das consciências em choques, a dos novos (na peça) ainda não amortecidas e a dos velhos (também na peça) representando o amordaçamento dos sentimentos ante os interesses financeiros. Uma lição à sociedade, onde o gênio do autor ficava em primeiro plano."

"Está lá fora um inspetor" é um excelente conto policial, digno de figurar em qualquer boa antologia do gênero"
Diário de noticias - Edison NEQUETE - Porto Aleagre em 10/03/1954.

"ESTÁ LÁ FORA UM INSPETOR", além da esplêndida versão do TAP...nos obriga a pensar. Faz-nos ver qualquer ato de nossa vida poderá ter conseqüências imprevisíveis. PRIESTLEY levou a tese para o lado mau. Qualquer outro dramaturgo de sua força poderá fazer viver o contrário, e dos próprios atos dos personagens que levaram uma moça de queda em queda, a ficção se quiser tirará efeitos pela sugestão do hábil envolver da peça. Só muitos dias depois conseguindo chegar a essa consoladora conclusão.
Enio F. e Castro - Diário de noticias - Porto Alegre em 17/03/1954.

 

Tradução: Odilon Azevedo
Direção: Valdemar de Oliveira
Estréia: 11 de Setembro de 1953
Local: Teatro de Santa Isabel

Reinaldo, Sebastião Vasconcelos e Valdemar
Adhelmar e Valdemar
Valdemar, Diná e Janice
Está lá Fora um Inspetor
De: J.B. Priestley
O inspetor e parte do elenco
Janice e Valdemar