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"A peça conta a história de uma mãe (Denise) emancipada e avançada. Três filhos: Walter, o mais velho, Marina e Bruno, o mais moço. Todos vivendo na imagem do pai Eduardo, cujo o retrato, pintado a óleo, vive marcando presença na parede da sala. Tudo continuaria como está se um belo dia Walter e Marina não anunciassem que iriam se casar com Helena e Roberto Douchemim, respectivamente. Diante da eminência de se misturarem as famílias e temendo com isso ser descoberto em sua mentira, Denise resolve, após consultar seu amigo e procurador Mollenett, esclarecer aos filhos a verdade : Aquele retrato na sala não era do pai deles e sim uma pechincha que ela comprara, ao acaso, em um antiquário, pois para cada um deles existia um pai diferente. Mesmo estupefatas com a singular notícia, os filhos continuam a apoiar sua corajosa mãe, ficando, porem, entre todos , o desespero de não saber o que fazer para contar esta milaborante história a Sra. Douchemin. Após algumas divagações , Denise, que é inteligente e criativa, bola um plano a sua maneira: manda seus filhos passarem um tempo fora, manda um telegrama para cada um dos pais deles e redecora a casa com três estilos diferentes, de moda a agradar todos três. Ao voltarem, os filhos ficam surpresos com aquele plano, no qual Denise esperava casar com um dos três homens com que mantivera um caso, para que a tradicional Sra. Douchemim, não soubesse que ela fora mãe solteira e impedisse assim os casamentos . Armada a arapuca, apareceu o Senhor Michel Norman, um baronete que o pai de Walter. Iam, um pianista transloucado, pai de Marina e finalmente Felipe, o pai de Bruno de que Denise nada sabia, pois tivera com ele apenas uma aventura quando o encontrara e seu quarto, no hotel, que ela entrara por engano. Apresentados aos seus respectivos filhos, Denise os deixa à sos para que decidam qual deles irá se casar com ela, porém, eles não conseguem se entender, deixando que a escolha seja feita pelos próprios filhos, mas, cada um escolhe o seu próprio pai e não se chega a um conclusão. Desesperada com a hora da chegada da Sra. Deuchemin, Denise resolve deixar a situação com estava antes, ou seja, o quadro do velho Eduardo volta para seu posto na parede da casa, como pai de seus três filhos. E, para a sua surpresa e a de todos , com a chegada dos Deuchemin e após as apresentações formais, a Senhora Douchemin, aos prantos revela que não era casada com o Sr. Douchemin, rei das sardinhas enlatadas, pois este morrera afogado na véspera do dia em que resolveram casar. Ficando as duas famílias em pé de igualdade, termina a história, mostrando , mais uma vez, a verdadeira face da sociedade falsamente moralista."


"Registrem-se dois fatos curiosos e que merecem divulgação. O primeiro ter o pinto Pernambucano. Zuleno Pessoa, um dos mais credenciados pintores do Nordeste, presenteado, ao Teatro de Amadores de Pernambuco um quadro, para ser o mesmo posto em cena, quadro esse que se torna eixo no entrecho da peça. O segundo ter o Senhor Raimundo Pinheiro, grande amigo do TAP, presenteado um lustre de cristal para valorizar e ornamentar a cena. Dois gestos que a Diretoria do TAP sempre procurou registrar.



ELENCO:



Alfredo de Oliveira Bruno Darvet Stuart
Reinaldo de Oliveira Walter Darvet Stuart
Vicentina Freitas do Amaral Joana
Antônio Brito Mollinot
Dina de Oliveira Denise Darvet Stuart
Janice Cantinho Lôbo de Oliveira Marina Darvet Stuart
José Maria Marques Roberto Douchemim
Walter de Oliveira Sir Michael Normam
Otávio da Rosa Borges Ian Lerzaresko
Adhelmar de Oliveira Felipe Revel
Cecy Cantinho Lôbo Sra. Douchemim
Nair Brito Helena Douchemim



FICHA TÉCNICA

Cenário: Valdemar de Oliveira
Execução dos cenários: Alceu Domingues Esteves / Aluísio de Santana
Contra regra: Francisco Miranda
Caracterização: Alderico Costa
Eletricista: Aníbal Mota
Produção: Teatro de Amadores de Pernambuco


CRÍTICA E COMENTÁRIOS

"..Excelente é a peça "OS FILHOS DE EDUARDO", em três atos de Marc Gilbert Savajon, numa tradução de Renato Alvim e Mário da Silva , que o Teatro de Amadores de Pernambuco, sob direção de Valdemar de Oliveira , escolheu para celebrar os 15* aniversário do TAP." Em outro artigo: "Há um trabalho satírico de Sauvajon, momentos de deliciosa comicidade e espirituosa malícia. Toda a gente que compõe o "café-society" está bem retratada, com os seus "hobby", detestando a música de câmara, adaptando-se aos requebros do "Swing". Nada de Bach, nada de Mozart, nada de arte. Para que? Aparentemente a peça é amoral, mas o autor, na verdade, quis satirizar a sociedade do nosso tempo, criando situações imprevistas e dando ao seu trabalho o sabor marcante e imcomparável do Teatro ligeiro francês." Em outro artigo prossegue analisando o espetáculo: "A direção do TAP soube escolher um trabalho digno para comemorar o seu 15* aniversário de fundação. Os aplausos vibrantes da assistência, no final do 3* ato, atestaram plenamente a nossa assertiva de que o espetáculo corresponde à expectativa."
Adeth Leite, no Diário de Pernambuco




Tradução: Renato Alvim e Mário da Silva
Direção: Valdemar de Oliveira
Estréia: 6 de abril de 1956
Impróprio até 14 anos
Local: Teatro de Santa Isabel

Os Filhos de Eduardo
De: Marc Gilbert Sauvajon