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A idéia de montar "ONDE CANTA O SABIÁ" veio de Hermilo Borba Filho. Foi feita a leitura e imediatamente não se pensou em outra. Embora não se constitua uma grande peça tem o seu agradável sabor, focalizando uma época que agrada a maioria do público. O autor não se deixa levar pela sociedade luxuosa, pelo clamor dos bairros chiques, do Rio de Janeiro. Prefere o subúrbio, dos saráus familiares, do som dos pássaros dominando o ambiente, da flauta tocada por amadores, do piano armário, do grito estridente do trem passando que provoca movimentos inesperados, pois, é a hora da chegada ou da partida de alguem. Nesse clima ele consegui dominar o público que se deixa levar pelo agradável entremeado de situações. "Certos tipos de personagens, o modo de andar ou de dizer um ritmo vivo como a lembrar o cinema mudo, um vinco mais profundo das situações cômicas, a revivescência de figurinos que à simples visão fotográfica nos fazem sorrir ou gargalhar hoje - tudo isso contribui para que "ONDE CANTA O SABIÁ" valha, talvez, mais como um espetáculo do que uma peça teatral, como se essa fosse um doce pretexto pra acordar a memória de uma época de encantos diferentes - que cada uma, não nos iludamos, teve os seus, não sei se melhores ou piores, so sei que diferente.(...) Vamos rir inocentemente de modos e modas daquela época; e deixemos aos nossos netos o inocentemente rir de modas e modos da atual. Afinal de contas, o tempo passa - e todos passam com ele. Em tal riso não há qualquer intenção de ridículo sobre os costumes de que a velho geração participou, mas, apenas, um tratamento tocado de ternura e de saudade".

ELENCO:


Diná de Oliveira Inácia
Valdemar de Oliveira Fabrino
Adhelmar de Oliveira Justino
Geninha Sá da Rosda Borges Marcelina
Antônio Brito Miguel Leocádio
Lêda Sodré* Virgínia
José Maria Marques Hernani
Janice Cantinho Lôbo de Oliveira Nair
Josefina de Aguiar Navarro* Ritinha
Reinaldo de Oliveira Antônio
Joel Pontes* Basílio
Otávio da Rosa Borges Elvídio
* Estreando no Teatro de Amadores de Pernambuco.


FICHA TÉCNICA

Cenário: Aluysio Magalhães
Figurinos: Janice Cantinho Lôbo de Oliveira
Luz e som: Reinaldo de Oliveira
Direção Musical: Maestro Nelson Ferreira
Coreografia: Ceci Cantinho Lôbo
Contra regra: Cremilda Ebla
Maquinistas: Alceu Domingues Esteves / Aluísio de Santana
Costureira: Edith Ramos Galvão
Caracterização: Alfredo de Oliveira
Eletricista: Aníbal Mota
Alfaiate: Praxedes
Costureira: Edth Ramos Galvão

Músicas:
Bacalhau de Côco, de Nicolino Milano
Flor do Mal, autor desconhecido
Jura, de Sinhô
Tahi, de Joubert de Carvalho
Pé de anjo, de Sinhô
Tatu subiu no pau, de Eduardo Souto
Pinta, Pinta, Melindrosa, de Freire Junior
Único amor, de Alfredo Medeiros

NOS INTERVALOS:
Flor do abacate, de A. Sandin
Borboleta, não é ave, de Nelson Ferreira
Caraboo e Manon de autores desconhecidos.

Produção: Teatro de Amadores de Pernambuco


NOTA: REMONTE
Foi remontada em dezembro 1959 com o mesmo elenco.

Foi levada à cena em Abril de 1961,
durante a entrega dos prêmios
aos melhores do ano de 1960,
distribuídos pela ACTP, no Teatro de Santa Isabel.
Única substituição: Zodja de Oliveira, no papel de Ritinha


CRÍTICAS E COMENTÁRIOS

" ...Cenas divertidas, exageradas. Peça muito bem vestida, numa reconstituição do guarda-roupa de 1920-30. José Maria Marques e Janice fabulosos, nos seus tiques e comicidade. O sabiá cantou nitidamente no alpendre, ao fundo. A platéia palmeou um número de dança(maxice?), dançada com muita desenvoltura por Geninha (ninguem a conhece na pela de uma mulata) e Reinaldo. Joel Pontes está simplesmente antológico. Lembra ao mesmo tempo Carlito e um dos irmãos Max...e nos dá uma cena deliciosíssima , quando pretende ensaiar a valsa "flor do mal" com um flauta."

" O espetáculo do TAP foi e é excelente, sim (...) Hermilo Borba Filho cominhou com muita segurança para um resultado c ompensador, jogando com um elenco raramente visto em nossos palcos, pela sua homogeneidade e virtuosismo, nem mesmo quebrados pela estréia de dujas atrizes ou pela "nonchalance" com que Valdemar de Oliveira viveu Valdemar de Oliveira, recusando-se positivamente, a criar qualquer tipo, apenas fugindo, aqui e ali, de sua encantadora linha britânica habitual. O trabalho do diretor nesse espetáculo é algo digno de exame apurado. Quantas minúcias esperdiçadas! Desconfio lmesmo que até Aluísio Magalhães entrou na brincadeira para criar ambiente propício ao guarda-roupa de Janice, à coreografia de Cecy Cantinho Lobo, ao som e a música. E tudo combinava, por sua vez,com a frivolidade do diálogo. Era um espetáculo em que todos faziam força para se mostrarem ruins. Daí a graça, que seria dolorosa se o espetáculo fosse "fiel ao estilo da época"; "ONDE CANTA O SABIÁ", agradou á crítica e ao público. Nada ali foi feito à toa, ou sem discernimento ou sem planejamento (...) reviveu o original de Tojeiro, dando-lhe graça, humor, finura, sarcasmo, malícia e caricatura."
Medeiros Cavalcanti

"Nesse espetáculo o Teatro de Amadores de Pernambuco dá mais uma prova de possuir, pra a comédia, um dos melhores elenco do país. Bem poucos comediantes brasileiros atingiram, na linha imposta por Hermilo Borba Filho a representação de "ONDE CANTA O SABIÁ", o ponto atingido pelos interpretes do conjunto pernambucano. Reinaldo de Oliveira, Geninha e Otávio da Rosa Borges, Janice Oliveira, José Maria Marques, Diná de Oliveira, Josefina Aguiar, Adhelmar de Oliveira, Lêda Sodré, Joel Pontes comportaram-se como verdadeiros virtuosos da comicidade e têm um desempenho de elevada categoria artística. O cenário de Aluísio Magalhães, os figurinos de Janice Oliveira, a orquestra de Nelson Ferreira e a coreografia da Sra. Cecy Cantinho Lôbo, contribuiram grademente para a beleza do espetáculo."
José Laurênio de Melo, no Diário de Pernambuco.

Nota: O prefeito Pelópidas Silveira manifestou diversas vezes a satisfação de ver o espetáculo "ONDE CANTA O SABIÁ" reinaugurar o Teatro do Parque, depois da restauração de suas instalações e que veria proporcionar aos grupos teatrais do Recife outra espaço, deixando o Teatro de Santa Isabel mais disponível para outros empreendimentos artísticos.

Direção: Hermino Borba Filho
Direção Musical: Maestro Nelson Ferreira
Estréia: 7 Novembro de 1958
Local: Teatro de Santa Isabel

Onde Canta o Sabiá
De: Gastão Tojeiro