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Outro original de autor brasileiro, dessa vez a oitava peça, que o Teatro de Amadores de Pernambuco oferece a seu público. A peça escolhida "O PAGADOR DE PROMESSAS" de Dias Gomes, já havia sido levada à cena em São Paulo pelo TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), com direção de Flávio Rangel. Entendimentos foram mantidos não só com o Diretor Flávio Rangel que não pôde aceitar o convite para dirigir o TAP como com o autor Dias Gomes que autorizou a sua montagem. A peça, considerada por Décio de Almeida Prado, como a melhor escrita por Dias Gomes mereceu do crítico uma significativa observação: "Não seria errado datar sua carreira a partir de 1960, quando o TBC levou à cena "O PAGADOR DE PROMESSAS", drama que, transformada em fita por Anselmo Duarte, ganharia a palma de ouro no Festival de Cannes". No Recife a peça envolveu um elenco expressivo obrigando ainda a participação de figurantes convidados e pertencentes à "Tenda Africana Cosme e Damião a quem coube a parte dançada e cantada do espetáculo.
A historia gira, como Joel Pontes explica:"Zé-do-burro fez uma promessa e deseja cumpri-la. Nada mais simples. O padre se opõe ao cumprimento da promessa, por vários motivos encontrados nos Doutores da Igreja. Está levantado o conflito principal da peça, porque Zé-do-burro entende, em sua fé, que fez a promessa à Santa Bárbara e só a ela deve contas. Vem o Monsenhor e desobriga-o, chega a autorizá-lo a fazer promessa diferente: um direito de igreja para obstar excessos. Mas bem se vê que a fé de Zé-do-burro não é a mesma de Monsenhor; Ele vê a igreja, vê a Santa.(...) Ele é baiano e nenhum brasileiro tem tanta intimidade com os santos como o baiano.(...) Zé-do-burro é destes. Fez um trato com Santa Bárbara , sente-se devedor e quer pagar.(...) Como paralelo ao conflito central temos o problema do sexo, em Rosa, os marginais da sociedade em Bonitão, no Repórteres. Os tipos mais característicos das ladeiras da Bahia como Minha Tia, vendedora de comidas apimentadas; Dedé Cospe-Rima, vendedor de panfletos e poeta;Galego, dono do boteco; mestre Coca - o de capoeira. É bem Bahia de todos os santos e quase todos os pecados reunidos numa festa religiosa de Santa Bárbara e de Iansan, mulher de Xangô, orixá dos raios e das tempestades."


ELENCO:


Reinaldo de Oliveira Zé do burro
Janice Cantinho Lôbo de Oliveira Rosa
Lêda Jácome Sodré Marli
Samuel Hulak * Bonitão
Alderico Costa Padre Olavo
Alfredo Sérgio Borba Sacristão
José Gonçalves dos Santos * Guarda
Diná de Oliveira Beata
Antônio Brito Galego
Vicentina Freitas do Amaral Minha Tia
José Maria Marques Repórter
José Sílvio Custódio Dedé * Cospe Rima
Aderbal Jurema Filho * Secreta
Adhelmar de Oliveira Delegado
Ciro José Tavares * Mestre Coca
Valdemar de Oliveira Monsenhor
Neslon Sena Manoelsinho sua mãe
*Estreando no Teatro de Amadores de Pernambuco



FICHA TÉCNICA

Cenário: Janice Cantinho Lôbo
Figurinos: Janice Cantinho Lôbo
Contra regra: Cremilda Ebla
Maquinistas: Alceu Domingues Esteves / Aluísio de Santana
Eletricista: Aníbal Mota
Desenhos e Pintura de cena: Mário Nunes / José de Almeida
Execução de Pintura: Zezinho
Supervisão de Pintura: Mário Nunes
Luz: Graça Melo / Reinaldo de Oliveira
Participação especial: Grupo Folclórico "Tenda Africana Cosme e Damião" nas danças e cantos.

Produção: Teatro de Amadores de Pernambuco


CRÍTICAS E COMENTÁRIOS

"O PAGADOR DE PROMESSAS" é uma nova linha para o Teatro de Amadores de Pernambuco; é um enriquecimento para o nosso teatro, é uma revitalização para os nossos feitos" Medeiros Cavalcante.

"Levantei-me e aplaudi de pé o espetáculo do TAP. No exercício da crítica, a gente vai se acostumando à chatice de dezenas de espetáculos mais ou menos iguais, com os mesmos defeitos grandes e qualidades pequenas, repartidas até o infinito. De súbito, vem um momento excepcional, que é a compensação de tudo. Poder aplaudir de pé é a felicidade máxima de um crítico, maior ainda do que a de um espectador comum, porque, ao escrever sobre o espetáculo ele o revive de certa maneira e torna a sentir a satisfação de se ter realizado. (...) O TAP estava bem necessitado de sondar novos processos, de um arejamento semelhante; gente nova, peça nova, técnica de representar um pouco diferente e se encaminhando para a pesquisa de novos meios. Nenhum temor a tabus, inclusive de falas, até de intolerâncias políticas e religiosas. (...) Alegro-me de ver que o TAP se integrou à realidade brasileira e enfrentou as dificuldades de uma encenação tão fora dos seus roteiros. País novo, de teatro ainda novo , é isto mesmo o que temos a fazer: experimentar, movimentar, tentar o acerto."

 

Direção: Graça Melo
Estréia:
13 de Outubro de 1961
Local: Teatro de Santa Isabel

O Pagador de Promessas
De: Dias Gomes