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No dia em que essa Home Page é colocada na Internet, comemorando os 60 anos de atividade do Teatro de Amadores de Pernambuco, o TAP oferece aos seus amigos e ao seu grande público, no Teatro Valdemar de Oliveira, "Um sábado em 30". Com isso, em data tão importante ao grupo, a peça do pernambucano Luiz Marinho completa 34 anos de exibição. Durante 30 anos os espetáculos aconteceram, rigorosamente, todos os anos. Com o grave acidente ocorrido com Diná de Oliveira e com o falecimento de Vicentina Freitas do Amaral e Romildo Halliday a peça teve que se manter fora de cartaz. Quatro anos depois volta com novos elementos e a aceitação do público se repete, fazendo com que se constitua no maior sucesso, em todos os tempos do TAP. Com ela o Teatro de Amadores de Pernambuco excursionou em quase todas as principais cidades do Brasil. Uma peça que não conhece o que é ser representada para meia casa. Sempre com lotações esgotadas ou literalmente cheia, Um sábado em 30 é um texto que já chegou às mãos de Valdemar de Oliveira, trazendo prêmios: O concurso da União Brasileira de Escritores, secção de Pernambuco e outro da Escola de Belas Artes da Universidade do Recife. Em ambos galgando o primeiro lugar. Os jornais exaltam o trabalho de Luiz Marinho: " As 'peças Marinhas', podem ser tomadas como duas vezes sociológicas: refletem os costumes e o 'idioma' de uma região. Que especialista, até hoje, deu-se, mais do que Luiz Marinho, ao entendimento e à valorização da sociologia da linguagem da comunidade canavieira pernambucana? (...) Daí toda uma série de expressões ricas de carga significantes, a favorecer a suposição de que era a cozinha, também pela sintaxe, o lugar mais dinâmico das casas antigas da família nordestina. A ponto de inverter o dito patriarcal: 'a conversa ainda não chegou na cozinha, pois de lá, como vemos agora, é que se irradia pela sala". Mauro Mota.

ELENCO:


Diná de Oliveira Sá Nana
Lêda Jácome Sodre Joana
Reinaldo de Oliveira Chico
José Sílvio Custódio Julião
Sulamita Lira Santos Leninha
Elaine Soares Zefa
Ruth Rosenbaum Filó
Norma Correia Lima D. Mocinha
Antônio Brito Seu Severiano
Vicentina Freitas do Amaral Quitéria
Romildo Halliday Major Paulino
Nair Brito Filha Luzia
Carmela Matoso Mercês
Tereza Cristina Vieira de Melo Jesus
Cláudio Basbaum Romeu
Luis Carlos Nunes Machado Gustavo
Adhelmar de Oliveira Seu Quincas
José Maria Marques Vasco
Clandira Halliday Ana



FICHA TÉCNICA

Cenário:
Valdemar de Oliveira
Figurinos: Valdemar de Oliveira
Sonoplastia: Reinaldo de Oliveira
Contra regra: Cremilda Ebla
Maquinista: Alceu Domingues Esteves / Aluísio Pereira de Santana

Produção: Teatro de Amadores de Pernambuco


Depois de ter sido agraciado com "Samuel" como
o melhor espetáculo de 1963 da A .C. T. P.,
no ano de 1964 foi remontada e excursionou
a Belo Horizonte e São Paulo.


O elenco sofreu as seguintes alterações:

José Maria Marques Julião
Maryland Correia Lima Jesus
Albuquerque Pereira Romeu
Neslon de Sena Gustavo

Os demais papeis permaneceram com
os mesmo interpretes da estréia.


Remonte de 1991, comemorando os 50 anos do TAP, apresentou-se no Nosso Teatro com o seguinte elenco.

Dulcinéa de Oliveira Joana
Ivanildo Silva Julião
Clenira Bezerra de Melo Zefa
Cristiana Toreão Filo
Geninha da Rosa Borges Dona Macinha
Carlos Alberto Guimarães Seu Severiano
Katarina Galindo Leninha
Rogério Costa / Dierson Leal Major Paulino
Vanda Phaelante Luzia
Fabiana Vilaça / Dinazinha de Oliveira Pacote
Karina Galindo Maria de Jesus
Thelma Cunha Maria das Mercês
Anderson Simões Romeu
Renato Campelo / Josias Lyra / Rubens Reis Vasco
Denise Reis Ama


Em 1973 excursionou ao Rio de Janeiro no
Teatro Nacional de Comédia com o seguinte elenco:

Diná de Oliveira Sá Nana
Dulcinéa de Oliveira Joana
Reinaldo de Oliveira Chico
Ivanildo Silva Julião
Clenira Bezerra de Melo Zefa
Violeta Torreão Filó
Norma Correia Lima D. Mocinha
Enés Alverez Severiano
Vicentina do Amaral Quitéria
Romildo Hallyday Major Paulino
Vanda Phaelante Luzia
Cristiana de Oliveira Leninha
Yeda Costa B. de Melo Mercês
Patrícia de Oliveira Jesus
Luiz Carlos N. Machado Romeu
Marilan Sales Gustavo
Renato Phaelante Seu Quincas
Manoel Almeida Vasco
Clandira Hallyday Ama


Em 1986 fez excursão a Brasília com
algumas alterações no elenco:

Maria Mattoso Filó
Geninha Rosa Borges D. Mocinha
Karina Galindo Leninha
Luciana Maia Mercês
Renata Phaelante Maria de Jesus
Renato Campelo Gustavo
Josias Lira Vasco


...

As excursões com "Um sábado em 30":

O público de São Paulo recebe o Teatro de Amadores de Pernambuco com o maior carinho possível. Já conhecia o seu trabalho, conhecia os seus ideais, sua história. O Teatro Leopoldo Fróes esgota lotações nos 15 dias em que o TAP ali se apresenta.

"..o que houve, na estréia do Teatro de Amadores de Pernambuco, não foi propriamente um aplauso: foi um delírio de entusiasmo. Entusiasmo de uma platéia que lotou o teatro Leopoldo Fróes (fato já por si raro) e não deixou de manifestar, muita vezes ruidosamente durante o três atos cômicos de "Um sábado em 30", de Luiz Marinho ."
Cronista Carvalhaes da Folha.

"A peça encenada pelo Teatro de Amadores de Pernambuco devolve-nos não só um momento característico da vida brasileira como um momento característico do próprio teatro brasileiro, ou seja, a comédia de costumes de 30 anos atrás, com seus tipos marcadamente pitorescos (a solteirona gorda de papelotes e camisola, a criadinha saliente, os agregados da família) e com as suas situações cômicas (namoros e mexericos) que não fazem qualquer cerimônia e vão logo aos pontos fracos do público."
Décio de Almeida Prado - São Paulo.

"...é uma peça que merece ser vista e elogiada e constituirá certamente, um bom cavalo de batalha do teatro brasileiro, para futuras encenações, que desejamos seja do nível dessa promissor estréia em São Paulo."
Oliveira Ribeiro Neto da A Gazeta.

"Quem gosta de teatro bom e bem feito não deve perder"Um sábado em 30". A prova de que o público mais inteligente está gostando são os aplausos que umas oito apresentações já conseguiram até agora. A peça enche os olhos e denuncia uma boa vocação. A linguagem por ser muito regional, apresente certa dificuldade, para o espectador. Contudo, arriscaríamos perguntar se aquelas expressões populares não são o forte da peça"
Ronaldo Brandão, Última Hora - Belo Horizonte.

"Um sábado em 30" é o sucesso da temporada do TAP em Belo Horizonte. O grupo é, realmente maravilhoso. Não há um senão e todos os atores desempenham muito bem os seus papéis. Quem não viu deve ver."
Ivân Ângelo - Belo Horizonte.

"Todo o mundo deve ir ver Um sábado em 30. E quem for aplaudirá com entusiasmo, na certa, como nós aplaudimos."
J.Etiene Filho

"Um espetáculo harmonioso, bem afinado, que satisfaz aos mais exigentes espectadores. Quem gostar de teatro, quem quiser passar algumas horas vendo uma peça engraçada e atores que sabem dizer e representar, não pode deixar de ir assistir a Um sábado em 30".
Oscar Mendes



CRÍTICAS E COMENTÁRIOS:

"Não senhores! Está em tempo de ver o engano ledo e cego em que estão. Um sábado inolvidável, como se o passado tivesse voltado com tudo que tinha para animá-lo - música, palavras, acontecimentos, vestes, móveis - um sábado em Timbaúba, em outubro de 1930, quando a Revolução era vitoriosa. Vão ao Santa Isabel, e vejam o espetáculo" Medeiros Cavalcanti
"...o tema escolhido por Luiz Marinho Falcão é rico em substância e regionalismo no bom sentido. Vários dramas de seu original, poderiam ser postos em primeiro plano; a angustia e o sofrimento de D. Mocinha na espera do filho Vasco que partiu para a 'revolução' inspirado nos conselhos do avô Major Paulino; a desonra de Filó, uma moça ingênua que é tragada pela lábia do patrão (Romeu); o caritó de Quitéria, buscando por todos os meios abocanhar o 'bicheiro' Severiano e, por fim, as recordações do Major Paulino, cego, ex-combatente da guerra do Paraguai. (...) 'Um sábado em 30", como foi concebida, é peça para rir. Desopilar o fígado. Melhor concebida, é cartaz para permanecer durante longo tempo em qualquer casa de espetáculo do país."
JOEL PONTES

"Impressiona, em primeiro lugar como são revividas as situações. As expressões populares os costumes, as crendices, os sentimentos comuns - nenhum detalhe Luiz Marinho esqueceu. Não sei outro autor nordestino além de Ariano Suassuna, que conheça como Marinho esse linguajar do povo, esse tesouro de crendices e supertições que constituem inesgotável fonte para todos os gêneros de nossa literatura."
Flávio Tiné

" este espetáculo marcará fora de Pernambuco - por estranho que pareça - tanto ou mais do que aqui. Há um anseio por esse tipo de espetáculo".
Tonico Aguiar.

A peça tem sua história: Valdemar de Oliveira, que fez parte da comissão julgadora quando do concurso da União Brasileira de Escritores, se oferece a dar a sua colaboração, numa apreciação mais profunda. Era o que mais desejava Luiz Marinho. Quando o original retornou a seu autor veio cheio de anotações das mais diversas. O próprio Luiz Marinho afirmou: "...encontrei a minha peça totalmente dissecada, um verdadeiro diploma. Fatores positivos e fatores negativos, personagem tal no lado positivo e personagem outro no lado negativo. Em baixo Valdemar escreveu: 'Nasce aqui um autor Nordestino'." (...) Os prós e os contra foram bastante observados, tudo que havia de negativo no opinião de Valdemar, eu tirei de cena. Mas ele só deu mesmo orientação dizendo, por exemplo, que a personagem 'Zefa Pastpra' estava pouco explorada, etc. A partir daí eu dei mais fôlego a esta personagem. Hoje ela tem dimensão imensa e dá certo. Não se pode dizer jamais que Valdemar de Oliveira desestruturou a minha peça."
Luiz Marinho é, sem dúvida, o mais completo autor nordestino e suas peças representam o que de melhor se poderia apresentar como cenário das coisas do Nordeste. Ele é imbatível quando focaliza as coisas de sua terra, de sua gente. Isso sem exagero, sem novidades, sem dar proporções maiores do que a realidade. E, principalmente, se aconchegando ao lado do riso e se afastando das coisas tristes. Assim ele se define quanto a sua obra, no Diário de Pernambuco: "Procuro fugir da temática da seca, fome, miséria, sede, apresentando a face alegre do matuto. Mesmo quando trato de uma tragédia, busco o seu lado cômico. Um velório, por exemplo, só é dramático para a família do finado. A partir dos momentos em que as virtudes do morto são exageradamente exaltadas, comentados os detalhes dos últimos contatos, das últimas palavras, a coisa passa a ficar cômica, e disso e de outras situações tiro proveito e exploro nas minhas peças." No mesmo jornal Reinaldo de Oliveira comenta sobre as razões de tanto sucesso de "Um sábado em 30": "Em primeiro lugar, a peça é boa; em segundo lugar, e peça é divertida, terceiro lugar,a peça é regional. Quarto lugar, a peça é bem representada; quinto lugar, a peça é bem dirigida. Estão ai cinco elementos que eu poria de frente para tentar dar a explicação." Adiante ele volta a afirmar as razões desse enorme sucesso que já ultrapassou a casa dos 34 anos em cartaz e dele não pretende se afastar. "O que eu ouço, hoje em dia, quando digo para qualquer pessoa que a peça vai voltar ao cartaz, não é outra frase senão essa: - 'Vou ver de novo'. E se acaso alguém diz - De novo. Porque ? Responde - Porque é sucesso. Se fosse fracasso ninguém pensava em remontar.

Direção: Valdemar de Oliveira
Estréia:
08 de Julho de 1963
Local: Teatro de Santa Isabel

Um Sábado em 30
De: Luiz Marinho