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ELENCO:


Luiz Carlos Nunes Machado Firmino
Vanda Araujo Marcelina
Geninha Sá da Rosa Borges Lucete
Enéas Alvares De Chenneviette
Reinaldo de Oliveira Bois D'Enghien
Romildo Halliday Fontanet
Diná de Oliveira Mme. Duverger
Walter de Oliveira Bonzin
Aldemar Paiva General Irrigua
Alfredo de Oliveira Antônio
Violeta Cláudia Torreão Viviane
Lêda Jácome Sodré Miss Betting
Herci Lapa de Oliveira Emília
Albuquerque Melo Lantery
Sebastião Ramalho João
Vicentina Freitas do Amaral Senhora
Pedro de Souza Florista
Luiz Carlos Nunes Machado Noivo
Dulcinéa de Oliveira Noiva
Nuno Guedes Pereira Sogro
Netinha Guedes Pereira Sogra
José de Almeida Porteiro
Pedro Olinda Agente


FICHA TÉCNICA

Cenário: - Luiz Fontoura ( Cenários do 1* e do 2* ato ), Valdemar de Oliveira - 3* ato
Guarda roupa
- Hercí Lapa de Oliveira
Maquinista:
- Aluísio Pereira de Santana
Eletricista:
- Erivaldo Mota
Caracterizaçao:
- Nita Campos Lima
Penteados:
- Mariinha
Chapeus:
Heloísa

CRÍTICAS E COMENTÁRIOS:

Valdemar de Oliveira referindo-se ao autor de "UMA PEDRA NO SAPATO", lembra em artigo no Jornal do Commercio já ter sido encenado no Recife vário originais de Georges Feydeau (1860-1921). Recorda os tempos do "Helvética", no Santa Isabel e do "Moderno". No Rio de Janeiro no Teatro Maison de France, Paulo Autran e Tônia Carreiro, com grande sucesso, levaram à cena "A dama de Chez Maxim´s". Isto no Brasil. Na França a própria "Comédie de Française" não deixa de encenar Feydeau. Chega a vez agora do TAP. Tudo é feito dentro do rigor que caracteriza o trabalho do Teatro de Amadores. Detalhes são descritos por Valdemar de Oliveira: "Percorri dezenas de páginas à procura de uma foto ou gravura do agente de polícia francês, Coisas como essas encontram-se constantemente. Quando se precisa delas, não aparecem. Apelei para o consulado da França - e acabei recebendo a presença do Prof. Licari, que me veio trazer um cartaz no qual domina a figura do gendarme, bem diferente do policial de Londres ou de Nova Iorque. Mas já o Sebastião Barbosa me prometera fotos que deveria possuir na sua excelente Agência de Turismo. Todavia, foi o Allan Quérette, a quem também eu falara, que deu o golpe de morte na questão. Não sei onde foi buscar a informação, mas, mandou-me um desenho completo, sobre o gendarme francês... - Não o de hoje, mas o da época da peça! E foi sobre esse desenho que em menos de 24 horas, um alfaiate fabuloso - o Roger Amoedo, do canal 2, fez um uniforme (autêntico) do Agente que sobe ao apartamento do Bois D'Enghien para prender Bouzin, em ceroulas, Eis de que estofos são os verdadeiros amigos do TAP.".

"Ângelo de Agostini, como geralmente a imprensa divulgava o seu nome, também, para outros, era Ângelo D´Agostine. Sempre atento ao movimento teatral do Recife era um dos primeiro a dar notícias sobre o TAP, no Jornal do Commércio; Esta nota foi do dia 5 de abril de 1967.
" ...Waldemar de Oliveira comunicando que a 13 ou 14 do corrente, sobe à cena no Santa Isabel, a peça de Feydean, "UMA PEDRA NO SAPATO" pelo elenco do Teatro de Amadores de Pernambuco no seu retorno às atividades. O TAP tem ensaiado todas as noites até as primeiras horas da madrugada e, segundo Waldemar, o espetáculo vai ser na linha dos melhores apresentados pelo nosso veterano grupo que ontem, por sinal apagou 26 velinhas."

No dia da estréia assim comentou Ângelo de Agostine: " Já falamos nesta coluna de Feydean e sua obra, mas não custa nada voltarmos ao assunto; já que hoje ele se apresenta ao público recifense com uma de suas obras mais comentada e destinada a se constituir num dos pontos mais expressivos da temporada teatral da nossa cidade.
Segundo Georges Pillement, na sua "Anthologie du théâtre Français Contemporain", "Feydean levou o Vanderville à sua perfeição. Suas peças construídas com uma precisão e uma minúcia de um mecanismo de relojoaria, fazem estalar a gargalhada no momento justo". É uma renovação perpétuas de situações cômicas, uma cascata de acontecimentos ridículos, absurdos, levados à mais abracadabrante das fantasias que se mascaram, entretanto para chegarem a isso, da mais implacável lógica. Todavia - prossegue Pillement - "Feydean não é sistemático: ele se deixa levar a aventura sem estabelecer um plano prévio. Contenta-se em, partindo de um imprevisto, engendrar um conjunto de circunstâncias que colocará seus personagens numa situação impossível".
Pois é esse mestre do "Vauderville" que o Recife vai entrar em contato esta noite no Santa Isabel. Quando o velário abrir, o Teatro de Amadores de Pernambuco estará entrando no mundo "feydeano", um mundo rico em hilaridade, um mundo "onde reina a graça mais simples e discreta", segundo Alfredo de la Guardia e segundo o mesmo escritor, "onde não se deve procurar intenções, nem sequer as mais leves, pois se trata somente de fazer rir sem descanso".
Waldemar de Oliveira arregimentou para esse espetáculo um elenco dos mais numerosos já vistos em cena nos palcos recifenses e nossa particular satisfação se resume em encontrar de novo em atividades essa extraordinária atriz que é Geninha da Rosa Borges, ausente há já algum tempo e que volta hoje para mostrar porque ela é a grande senhora e dama dos nossos palcos.

Logo após a estréia ele volta a escrever sobre a peça: "Muita gente perguntando: mas Feydean é isso? Mas, é um chanchadeiro...
Nem tanto, senhores. Há uma diferenciação entre o teatro denominado "Vauderville" e o teatro de chanchada. Feydean não é um chanchadeiro porque este não resiste ao tempo. E Feydean resistiu. E mais, como acentua Phillipe Heriat, "é preciso entender que em Feydean a sátira é superior ao 'Vauderville' e é por isso que seu teatro resiste ao tempo".
"Uma pedra no sapato" guarda consigo todas as grandes características do teatro "Vauderville", do teatro "boulevard", principalmente a chamada "comicidade irracional" de que nos fala Michel George Michel. Não se pode, evidentemente, dentro da estória de "Un fila la patte" procurar situações verossímeis, dentro da logicidade das coisas que sempre imagina ter, embora os atropelos, as coincidências, as fatalidades cômicas que se sucedem umas após as outras no decorrer da peça, sejam rigorosamente e perfeitamente aceitas como acontecimentos reais, ao menos reais.
Os tipos de Feydean já são impiedosamente mascarados, realmente satirizados em suas atitudes, mas como acentuou Barrautt "O ridículo vem da vida, não dos personagens que na sua maioria são comoventes".
Bouzin, por exemplo, é um tipo extremamente comovente, mas ao mesmo tempo ridículo pelas situações que se criam em torno dele, não ele que as constrói. Ele é enredado numa série de situações as quais não contribui em nada para sua existência.
O general Irrigua é outro admirável personagem tipicamente de Feydean, como um outro general, o Petipon em "A dama do Maxim's". E Lucette, tal como Nini Bombom, de "A dama do Maxim's", é "como todas as personagens de Feydean, cúmplices e complacentes do seu gênio maldoso" (Jean Cassou).
Não se vá, portanto, procurar mensagem alguma em "Uma pedra no sapato". Ela é uma peça apenas para rir, sustentando-se no absurdo e na ferocidade, marcas maiores desse comediógrafo francês, comparado por muitos a Marivaux, Musset, Moliére.
"Uma pedra no sapato" é uma loucura consciente de Feydean, para usar uma expressão de Barrautt. Mas, é antes de tudo, uma exibição do teatro "Vauderville" das mais expressivas, que é necessário ainda nos dias de hoje, como uma válvula de escape para tantos mecanismos de lógica, técnica, matemática e planificações. Porque - e é aí que não se pode misturar "Vauderville" com Chanchada, "A verdadeira originalidade de Feydean é ter conseguido dar pela truculência cômica da charge, uma verdadeira psicológica e uma imagem simbólica da vida" (Michel Mourre). E isso nenhum chanchadeiro conseguirá dar.

Outro cronista, Adeth Leite escreveu no Diário de Pernambuco na Sexta-feira 28 de Abril de 1967:
"Teatro quase sempre. "Um Vauderville sem aspas 'Uma pedra no sapato'"
"As situações histriônicas estão à flor da pele em cada seqüência. Em "UMA PEDRA NO SAPATO" Feydean traça vários rumos aos seus tipos (...)".
"Mexendo as pedras com maestria, Feydeau consegue mover os seus tipos de um modo admirável, produzindo uma agradável comédia, prenhe de humanismo, sem descer à licenciosidade e alcançando os objetivos sem maiores atropelos, demonstrando a sua capacidade inconfundível de tirar partido da trama, contaminando a platéia de um excepcional "sense of humors".
Interpretação
O desempenho de "UMA PEDRA NO SAPATO", de um modo geral, está homogêneo, destacando-se, é claro, a interpretação dos principais protagonistas da trama, pela importância dos papéis, Geninha Sá da Rosa Borges, Reinaldo de Oliveira, Romildo Holliday e Dinah da Rosa Borges de Oliveira, pela segurança e espontaneidade com que se conduziriam, atravessando todos os três atos com uma bela performance; em segundo plano, pela importância dos tipos citam-se os trabalhos de Enéas Alvarez, Violeta Cláudia Torreão, Leda Jácome Sodré e Albuquerque Melo. A parte histriônica do espetáculo está confiada a Walter de Oliveira, Alfredo de Oliveira e Aldemar Paiva.
Conclusão:
O trabalho direcional de Waldemar de Oliveira está bom. (...) Quanto aos cenários, muito bom o 3° ato. Está aí um espectador despretensioso em que o espectador mais ranzinza ri a valer, escrito, dirigido e interpretado a contento geral, sem concessões bastardas para certo público e dosado com uma única finalidade: mostrar que o riso é ainda uma das boas fórmulas para se carregar esse imenso labirinto que se chama vida."Uma pedra no caminho" é, enfim, um Vauderville sem aspas!"

"O espetáculo é corrido, bem montado, o guarda-roupa é rico e bem vestido e há alem da verdade, o carinho e o cuidado sempre existentes em todas as realizações de Waldemar e seu grupo."
Ângelo de Agostine, no Jornal do Commercio em 25/4/1967


Tradução: - Valdemar de Oliveira
Direção: - Valdemar de Oliveira
Estréia: 14 de Abril de 1967
Local: Teatro de Santa Isabel

Uma Pedra no Sapato
De: Georges Feydeau