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ELENCO:


Reinaldo de Oliveira Roberto
Ricardo Vauthier Policial
Vicentina Freitas do Amaral Laura
Luiz Carlos Nunes Machado Ladrão

FICHA TÉCNICA

Cenário: - Valter de Oliveira
Contra regra: - Cremilda Ebla Dulcinéa de Oliveira
Maquinaria: - Aluisio de Santana Wilson de Barros
Caracterização: - Nita Campos Lima Mariinha
Som e luz: - Caetano Jeziel Lacerda Armando Ferreira

" Esta peça, juntamente com "A ceia dos cardeais" tem um significado muito especial na vida do TAP. Foi a primeira que Valdemar de Oliveira não assistiu. Morrera 28 dias antes, razão até para se fechar definitivamente o velário pela sua ausência, tão forte o impacto do seu desaparecimento. Durante os últimos momentos de vida, hospitalizado, rodeados dos amigos e dos familiares, dentro de tantos sofrimentos, constantemente demonstrava sua enorme preocupação com os destinos do Teatro de Amadores de Pernambuco. Sabia da gravidade de sua situação e procurava, em todas as horas, receber a promessa dos amigos do TAP da continuidade de sua obra. Geninha encenou Yerma de Garcia Lorca, no mesmo ano de seu desaparecimento, atendendo o seu pedido. Walter encena "Do tamanho do outro" de Millôr Fernandes, peça sugerida por Valdemar poucas semanas antes de sua morte. Reinaldo, não só aceitou o compromisso de continuar a sua obra como Diretor Geral do TAP, e monta "A ceia dos Cardeais", com Walter de Oliveira, como Diretor. E tudo isso acontecendo no momento em que o "Nosso Teatro" passa a se chamar Teatro Valdemar de Oliveira, em noite memorável e emocionante, quando em cena aberta o Serviço Nacional do Teatro (SNT) e a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT) com seus principais representantes afixam, em placa de bronze o acontecimento, e o Magnífico Reitor na Universidade de Pernambuco, Professor Paulo Frederico Maciel, pronuncia comovente palestra exaltando a figura de Valdemar de Oliveira. Tudo encerrando como ele sempre desejava que acontecesse. Uma representação teatral.

O autor deixou, no programa, uma mensagem que representou o sentimento dele e de todos naquela data, data que, sentimentalmente ficará ligada à vida do Teatro de Amadores de Pernambuco pelo significado que representou no cenário teatral do Recife, aquele momento.

" Depois de tantos anos, mas uma encenação deste trabalho, escrito num outro tempo, num outro país, em verdade num outro mundo: o Brasil de 1955. O que os espectadores verão, representando aqui no Teatro Valdemar de Oliveira, palco de tantas lutas e tantas glórias, tanta resistência contra a mil vezes declarada morte do teatro, é uma peça que se encarna e enquadra no aspecto mais assumido do Teatro brasileiro - a comédia de costumes. Um gênero especialmente importante num país com parcos registros de hábitos e maneiras de população, registro, em verdade, tão desprezados que cada nova geração pensa, sinceramente, que nada existiu antes dela, que ela é oriunda de um floração espontânea e que, nada tendo herdado, conseqüentemente nada tem a legar. Espero que esta hora-e-pouco de espetáculo possa mostrar, com a natural tradução de tempo e espaço, como era o subúrbio do Rio numa época em que a violência começava a crescer mas ainda estava longe de alcançar os índices neuropatológicos dos dias de hoje. Espero que os espectadores, vendo esta peça, sintam, ao mesmo tempo, um pouco de nostalgia do tempo em que o nosso crime ainda era amador e desorganizado, exatamente porque a repressão ainda era amadora e desorganizada. Que meu trabalho venha, afinal, pousar nas tábuas, honradas, tanto tempo, pelo trabalho pioneiro, competente, ininterrupto e, por isso tudo, emocionante, do Teatro de Amadores de Pernambuco - criatura de Valdemar de Oliveira, exemplo de uma paixão profissional (perdão, amadora!) sem paralelo - é algo que me traz , acima de qualquer outro sentimento, uma profunda sensação de ternura". Millôr Fernandes

Direção: - Valter de Oliveira Estréia: - 15 de setembro de 1977 Local: - Nosso Teatro
Do Tamanho do Outro
De: Millôr Fernandes